quarta-feira, janeiro 09, 2008

Acervada

Nalgum tempo (a minha avó dizia sempre assim, em vez de dizer antigamente) este era um dos melhores atributos que uma rapariga podia ter. Ser acervada era uma característica essencial, talvez a mais essencial de todas, pois era a garantia de um bom casamento, segundo os parâmetros da época e o julgamento do povo. As raparigas acervadas não saíam desnecessariamente, nem falavam com estranhos, nem se dedicavam a olhar para os rapazes indiscriminadamente.
Uma pessoa acervada era, sobretudo, uma pessoa sossegada.
Mas no caso dos rapazes, ser acervado não era um adjectivo tão elogiado como no caso das raparigas, acho até que acabava por ser um pouco pejorativo. Os rapazes queriam-se mais extrovertidos, despachados, talvez até um pouco atrevidos; se fossem quietos demais, se escolhessem o aconchego do lar em vez das idas à venda ou aos arraiais com os amigos, em breve alguém começaria a "fazer pouco" e nenhuma rapariga o aceitaria.
Há muito tempo que não ouço o adjectivo "acervado/a" ser utilizado na linguagem corrente. É um facto. E não foi só a linguagem que caiu em desuso, foi também o comportamento.

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