<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481</id><updated>2012-01-27T19:23:17.602Z</updated><title type='text'>O rabo do gato</title><subtitle type='html'>memória de palavras, expressões e outras curiosidades da linguagem da minha terra. sobre o "madeirense".</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>685</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8923225621624987426</id><published>2012-01-24T15:16:00.031Z</published><updated>2012-01-24T15:43:33.704Z</updated><title type='text'>o despacho de Dezembro</title><content type='html'>A meio da manhã começou a cair uma chuvinha miúda mas persistente. Retiro a roupa do estendal. Delicio-me com o cheiro a terra. Reparo nas folhas lavadas das plantas, brilhantes. Já era mais do que tempo, a chuva é tão necessária e tardava. Penso nisto e alegro-me com a benção que cai do céu.&lt;br /&gt;Penso nisto tudo mas falha-me um pormenor importante, ressuscitado por uma conversa dos meus pais.&lt;br /&gt;- "Hoje é o despacho de Dezembro". Então não é? Os meus pais olham para o céu cinzento e para a chuvinha miúda e têm a certeza de que é este o tempo que deverá caractarizar o mês de Dezembro deste ano. Mas quando começamos a descer para o Funchal, já não chove, apesar do cinzento do céu, coberto de núvens. - "Aqui não chove, mas no Norte deve estar a chover bem!" Não se sabe.&lt;br /&gt;O que se sabe é que segundo a tradição popular os primeiros doze dias de Janeiro representam os requerimentos para o tempo respeitante a cada um dos meses do ano e os doze dias seguintes representam os despachos, ou seja o tempo que realmente deverá caracterizar cada um dos doze meses. Seguindo este raciocínio, o dia 24 de Janeiro é de facto o despacho de Dezembro.&lt;br /&gt;Dezembro de 2012 deverá ser um mês de céu cinzento, com algum chuva miudinha, mas pouca, muito pouca para aquilo que deveria ser no primeiro mês do Inverno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8923225621624987426?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8923225621624987426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8923225621624987426&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8923225621624987426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8923225621624987426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2012/01/o-despacho-de-dezembro.html' title='o despacho de Dezembro'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8870976196769490972</id><published>2012-01-11T00:40:00.020Z</published><updated>2012-01-13T01:56:11.486Z</updated><title type='text'>o balanço</title><content type='html'>Sinto ainda a alegria que senti no dia em que o meu avôlito nos fez um balanço no tronco da ameixeira de damasco que ficava por cima do terreiro, entre a porta da cozinha e o poço de lavar. Parecia mentira! Em alguns minutos apenas o meu avôlito fez-nos  um balanço com uma corda muito grossa que foi buscar ao palheirinho.&lt;br /&gt;Lembro-me de o ver a escolher bem o ramo adequado, não só o mais forte, mas também aquele que ficava no melhor lugar e tinha a altura ideal. Depois vi-o a tomar balanço, com o corpo inclinado para trás e em seguida para a frente e de repente a corda estava a voar sobre o ramo e no instante seguinte já estava cá em baixo. O meu avôlito amarrou-a bem, experimentou o peso, e disse que podíamos brincar no balanço.&lt;br /&gt;O balanço ficava a meio do terreiro dos meus avôlitos. Uma de nós sentava-se, outra ia para trás e empurrava. Com mais força, mais, mais, até quase voarmos e tocarmos com uma ponta do pé num ramo da ameixeira branca. O cabelo voava. Sentíamos um frio na barriga. Era tão bom. - "Vamos se embalançar?" Não precisávamos de mais nada.&lt;br /&gt;O balanço não se manteve ali por muito tempo, pelo menos na minha memória não foi muito longo o tempo desse balanço. Talvez estivesse a forçar demasiado o tronco da ameixeira, certo é que atrapalhava quem queria passar no terreiro. Durou pouco tempo  esse balanço, mas foi o único que me ficou gravado na memória com esta nitidez.&lt;br /&gt;Todos os nossos balanços foram semelhantes àquele, feitos com uma corda grossa atada ao tronco de uma árvore.  Os balanços da minha mãe foram bem diferentes, pois nesse tempo eram as próprias crianças que os faziam, entrançando cascas de vime verde. Os balanços eram ainda mais preciosos para as crianças dessa geração porque só existiam em Junho, o mês dos balanços.&lt;br /&gt;Em Fevereiro e Março era a altura de podar os vimes. Estes eram amarrados aos molhos e colocados de pé em poças de água junto às ribeiras, para rebentarem. Aos poucos, durante cerca de três meses, os vimes iam criando raízes e ficando com folhas. Depois de retirados da água, a base dos molhos  era colocada sobre uma pedra e malhada com o malho. Era por aí, pela parte da casca que tinha ficado meio desfeito, que se começava a descascar o vime branco.&lt;br /&gt;As crianças rodeavam os adultos eufóricas e iam recolhendo as cascas para os balanços. Basicamente faziam uma trança, com vários molhinhos de vimes, tendo o cuidado de ir acrescentando mais vime ao longo da trança, gradualmente para ficar bem seguro. Depois elas próprias procuravam um ramo e atiravam a trança  ligando cuidadosamente as duas pontas, com outras cascas de vime.&lt;br /&gt;Se eu só me lembro do balanço do terreiro dos meus avôlitos, já a memória admirável da minha mãe conseguiu guardar todos os balanços da sua infância. Um balanço que a Ti Filomena deixou fazer num ramo de nespereira que se estendia por cima da vereda que ia para as Eiras; um balanço no ramo do carvalheiro que ficava em cima do bardo e se estendia sobre o caminho ao pé da casa da Tia Carolina do Pinheirinho; um balanço na pereira que existia em casa do Ti Noé; um balanço na nespereira que havia à frente das casas da Turquia; um balanço em casa do Ti José Mirando, que acabou por ser mudado para outro local, abaixo do ribeiro.&lt;br /&gt;- "Traz-me uma cartinha!" Era assim que as crianças pediam a quem se embalançava que tentasse agarrar, com as mãos ou com os pés, pequenas folhas de árvore, para provar o quão alto tinham conseguido ir.&lt;br /&gt;Junho era o mês dos balanços, o mês em que se descascavam os vimes verdes. Quando os balanços começavam a secar,  ainda tentavam salvá-los, metendo-os em água para amolecerem, mas mais tarde ou mais cedo acabavam-se os balanços. Até ao ano seguinte, na época dos vimes.&lt;br /&gt;Ouço estas memórias e sinto beleza em tudo. Nos objectos, nos gestos, nas emoções e nas palavras. Fico contente por sempre ter usado a palavra balanço. A palavra baloiço foi uma novidade aprendida muito mais tarde e nunca me soou tão bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8870976196769490972?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8870976196769490972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8870976196769490972&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8870976196769490972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8870976196769490972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2012/01/o-balanco.html' title='o balanço'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2112178373474054941</id><published>2012-01-10T15:36:00.003Z</published><updated>2012-01-13T01:02:49.012Z</updated><title type='text'>ter um pai nosso nas coisas</title><content type='html'>Percorremos a casa com solenidade, guardando o silêncio a que parecem convidar-nos alguns  espaços importantes. Admiramos a decoração, a limpeza extrema, o bom gosto.&lt;br /&gt;Os donos da casa não disfarçam o orgulho. Aqui e ali  comentam pormenores sobre a construção, sobre decisões que tomaram, escolhas difíceis, procuras complicadas ou até opções inicialmente erradas.&lt;br /&gt;Reparamos nos tapassóis de madeira com dobradiças de ferro, admiramos o alpendre, experimentamos os sofás da sala. A dona da casa abre armários, explica a origem de alguns objectos, mostra o jogo de panelas, retira copos do aparador, abre panos e toalhas bordadas para melhor os admirarmos, chama a atenção para a poupança de espaço na cozinha.&lt;br /&gt;Depois da agradável visita, a minha mãe vira-se para mim e exclama: "Ela tem um pai nosso nas coisas!" Foi esta a sua maneira de dizer que as coisas estavam todas extremamente organizadas, incrivelmente limpas, sem merecerem o mínimo reparo. Ter um pai nosso nas coisas é isto, é uma capacidade que algumas pessoas possuem e outras nunca conseguem alcançar, ainda que sejam católicas fervorosas e rezem o pai-nosso diariamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2112178373474054941?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2112178373474054941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2112178373474054941&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2112178373474054941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2112178373474054941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/07/ter-um-pai-nosso-nas-coisas.html' title='ter um pai nosso nas coisas'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8336004899795346497</id><published>2012-01-07T18:10:00.003Z</published><updated>2012-01-11T00:54:02.295Z</updated><title type='text'>nem fome nem frio</title><content type='html'>"Até à Festa não há fome nem frio!"&lt;br /&gt;Respondem, com esta expressão, a uma queixa minha de que está muito frio, como ainda não tinha estado este Inverno. Já não é possível andar com roupas leves.&lt;br /&gt;"Até à Festa não há fome nem frio!"&lt;br /&gt;Explicam-me que o rigor do Inverno só começa realmente em Janeiro, altura em que chega a maior força do frio, e altura a partir da qual escasseiam os produtos da terra, frutos ou legumes.&lt;br /&gt;Está mais frio do que antes, o ditado confirma-se.&lt;br /&gt;Está frio mas não chove, como deve acontecer no Inverno. No meio de tantas anormalidades, até a chuva anda distraída e não vem no tempo certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8336004899795346497?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8336004899795346497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8336004899795346497&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8336004899795346497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8336004899795346497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2012/01/nem-fome-nem-frio.html' title='nem fome nem frio'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8338344866350258241</id><published>2012-01-03T00:04:00.057Z</published><updated>2012-01-11T00:45:04.602Z</updated><title type='text'>história da bicha fera</title><content type='html'>Os pequenos eram espertos e em vez de meterem o dedo na fechadura da caixa,  metiam um rabo de lagartixa e conseguiam enganar a bruxa. Esta era a nossa parte preferida de uma das histórias que mais vezes ouvimos durante a infância, a história da Bicha Fera.&lt;br /&gt;A cena do rabinho de lagartixa representava uma espécie de pausa ao meio da história, era a parte em que podíamos descontrair, a parte em que sorríamos e respirávamos fundo, pois todo o resto era assustador.&lt;br /&gt;Sempre que  a minha mãe contava a história da Bicha Fera, eu tinha esperança que ela dissesse que os dois pequenos se tinham perdido acidentalmente na floresta. Mas a minha mãe contava sempre a história tal como ela era, era assim mesmo nesse tempo.&lt;br /&gt;Os dois pequenos protagonistas desta história comportavam-se mal. Por isso, a madrasta pediu ao pai deles que os abandonasse na floresta. O pai levou-os para a floresta com o pretexto de irem à lenha e quando lá chegaram sugeriu que eles fossem para um lado e ele para o outro, reunindo-se depois no ponto e partida.&lt;br /&gt;Já carregados com dois molhinhos de lenha, os dois pequenos voltaram ao local combinado mas não viram o pai de ponta nenhuma. Esperaram mas ele não chegou. Então, começaram a chamar: "Traz, traz, quanta lenha meu pai faz! Truz, truz, quanta lenha meu pai fez!" Nesta parte, a minha mãe chamava várias vezes, imitando o eco da floresta.&lt;br /&gt;A certa altura, eles lembraram-se de que tinham comido tremoços pelo caminho e decidiram seguir as cascas. Mas a certa altura já não havia mais cascas para seguir e eles continuavam perdidos e estava já a anoitecer. Foram andando, andando, andando, até que avistaram uma luzinha no escuro.&lt;br /&gt;Andaram até chegarem junto a uma pequena casa, onde uma velha estava a fazer malassadas. A velha colocava as malassadas no parapeito da janela e os pequenos, esfomeados, iam-nas tirando sem que ela se apercebesse. A velha tinha um gato cego de um olho e pensando que o roubo era obra sua, ia dizendo: " Sape gato de olho torto, cego-te um e tiro-te o outro. Sape gato de olho torto, cego-te um e tiro-te o outro."&lt;br /&gt;Até que decidiu ir à rua e encontrou os dois pequenos, que tratou muito bem e convidou para entrarem. Meteu-os na caixa do pão, uma caixa igual à que havia na cozinha dos meus avós e em todas as outras cozinhas de antigamente.&lt;br /&gt;A velha  ia alimentando as duas crianças pelo buraco da fechadura da caixa e de vez em quando queria saber se eles já estavam gordinhos.  Mas os pequenos eram espertos e quando ela lhes pedia para meterem o dedo pela buraco da fechadura, eles metiam um rabinho de lagartixa que tinham na algibeira.&lt;br /&gt;Era aqui que nós ríamos. Parávamos. Respirávamos. Que engraçado! Que bom eles terem levado a lagartixa na algibeira! Bem feito para a velha.&lt;br /&gt;A velha começou a desconfiar por eles estarem sempre magrinhos, apesar de toda a comida que lhes dava e um dia decidiu abrir a caixa. Qual não foi o espanto quando os viu tão gordinhos!  Então, disse aos pequenos para irem à lenha e deu-lhes um pão, uma garrafa de vinho e peixe, dizendo: "Vocês comem o pão e trazem o pão, comem o peixe e trazem o peixe, bebem o vinho e trazem o vinho."&lt;br /&gt;Pelo caminho, os dois irmãos começaram a chorar por não saberem o que fazer em relação às coisas que tinham de comer e trazer ao mesmo tempo. Apareceu-lhes então Santo Antoninho, que era o padrinho de um deles, e recomendou-lhes que comessem o miolo do pão e levassem de volta a côdea, que comessem o peixe e levassem de volta as espinhas e que bebessem o vinho e levassem de volta a garrafa cheia de água. Disse-lhes ainda para não obedecerem à velha quando ela lhes dissesse para irem para a frente do forno bailar, que antes lhe pedissem para os ensinar. Os pequenos ficaram mais sossegados e pararam de chorar.&lt;br /&gt;A velha ficou satisfeita com a solução encontrada pelos pequenos para as coisas que lhes tinha dado para levar e trazer e começou a aquecer o forno. Quando já estava quente, disse-lhe que fossem para a frente da porta do forno bailarem para se aquecerem, coitados, tinham vindo da serra e estavam gelados. Mas eles disseram-lhe que fosse ela primeiro para os ensinar como fazer, e assim que a mulher começou a bailar ao pé da porta do forno, pegaram na pá e empurraram-na para dentro do forno.&lt;br /&gt;A mulher começou a arder e a gritar e saiu-lhe um cachorro pela boca que fugiu pela porta fora porque, afinal, ela era uma bruxa. Acabava assim a história da bicha fera, uma das histórias que mais vezes ouvi durante a infância e que nunca me tinha lembrado de contar à minha filha. Contei-lha um dia destes, fazendo pausas aqui e ali para me tentar lembrar - algumas partes tive de confirmar depois com a minha mãe.&lt;br /&gt;Divertimo-nos a comparar a história de Hansel e Gretel dos livros infantis com esta versão madeirense e fizemos uma pausa para sorrir na parte em que o rabo de lagartixa metido pelo buraco da fechadura da caixa serve para aldrabar a velha. Estive tentada a começar dizendo que os dois pequenos se tinham perdido acidentalmente na floresta, mas acabei por fazer como a minha mãe fazia e contar a história tal como ela é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8338344866350258241?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8338344866350258241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8338344866350258241&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8338344866350258241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8338344866350258241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2012/01/historia-da-bicha-fera.html' title='história da bicha fera'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8703102310120182662</id><published>2011-12-15T23:26:00.002Z</published><updated>2012-01-05T00:38:21.889Z</updated><title type='text'>tempo da cabra afanada</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;O pior tempo, porém, o pior tempo de todos, era o tempo "da cabra afanada".&lt;br /&gt;- "Lembro-me de minha mãe apontar para baixo da Ribeira das Cales, em direcção à cidade", conta minha mãe, que só depois da nossa conversa anterior sobre particularidades meteorológicas, se lembra deste pormenor.&lt;br /&gt;-"Não sei bem como era que eles diziam...Parecia-me tempo da cabra afanada."&lt;br /&gt;Tempo muito rigoroso era esse tempo de sudoeste, com muita chuva, vento e nevoeiro.&lt;br /&gt;"- Era um desabrigo!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8703102310120182662?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8703102310120182662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8703102310120182662&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8703102310120182662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8703102310120182662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/12/tempo-da-cabra-afanada.html' title='tempo da cabra afanada'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5606514583924132700</id><published>2011-12-04T23:30:00.008Z</published><updated>2011-12-04T23:41:20.128Z</updated><title type='text'>Tempo de cima, tempo de baixo...</title><content type='html'>O tempo está de cima. O tempo está da serra. O tempo está do norte.&lt;br /&gt;É por isso que está mais frio, mas chove muito pouco, apenas alguns chuviscos de vez em quando, e não há nevoeiro.&lt;br /&gt;- "E verdade que está frio, mas este tempo é menos aborrecido do que o tempo de baixo", explica minha mãe.&lt;br /&gt;Meu pai descreve o tempo de baixo: - "É um nevoeiro terrível,  não se vê nada, e com muita chuva." Tempo de baixo. Tempo do Sul. Tempo do mar.&lt;br /&gt;O Tempo da Ribeira das Cales também é muito aborrecido. A minha mãe recorda-se que a minha avó detestava esse tempo:"É muito desabrigado!" Esse tempo de oeste traz também um nevoeiro desgraçado e chuva forte.&lt;br /&gt;O tempo de Machico é mais ou menos. O meu pai encolhe os ombros: "Não é muito mau. É parecido com o tempo de cima."&lt;br /&gt;Em breves minutos estão descritos os tempos.&lt;br /&gt;Hoje o tempo está de cima, da serra. Está frio, mas não chove nem há nevoeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5606514583924132700?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5606514583924132700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5606514583924132700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5606514583924132700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5606514583924132700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/12/tempo-de-cima-tempo-de-baixo.html' title='Tempo de cima, tempo de baixo...'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6164816615780177151</id><published>2011-12-01T09:28:00.005Z</published><updated>2011-12-01T21:20:44.315Z</updated><title type='text'>ainda vai ter Natal</title><content type='html'>Acontece, por vezes, demorarmos a estrear um peça de roupa, um utensílio de cozinha, ou outro objecto qualquer. Há coisas que ficam esquecidas sem percebermos bem porquê. Há peças que ficam à espera da ocasião ideal para serem usadas e quando nos damos de conta já passou muito tempo, afinal.&lt;br /&gt;Pego numa dessas peças e espanto-me por a ter deixado de lado, esquecida. Já não me lembrava!&lt;br /&gt;- "Ainda vai ter Natal", afirma prontamente a minha mãe.&lt;br /&gt;Não conhecia a expressão "ter Natal" como sinónimo de "ser estreado".&lt;br /&gt;A todos os outros, muitos, significados de Natal, junto-lhe este. Contente.&lt;br /&gt;Os tempos são de crise mas o Natal expande-se em sentidos e significados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6164816615780177151?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6164816615780177151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6164816615780177151&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6164816615780177151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6164816615780177151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/12/ainda-vai-ter-natal.html' title='ainda vai ter Natal'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1416022357598042813</id><published>2011-11-30T20:28:00.009Z</published><updated>2011-11-30T20:44:43.046Z</updated><title type='text'>enxógalhar</title><content type='html'>Falta pouco para a Festa e pedem-me a receita do licor de maracujá. Confirmo as medidas com a minha mãe. Primeiro deita-se a polpa de cinquenta maracujás num litro de álcool. Quinze dias depois, faz-se uma calda com um litro e meio de água e dois quilos de açúcar e leva-se ao lume durante alguns minutos. Deixa-se arrefecer e junta-se o álcool onde os maracujás estiveram em infusão. Há quem opte por coar e há quem prefira deixar algumas sementes de maracujá no licor. Só falta um pormenor importante: "- Durante o tempo em que a polpa de maracujá fica no álcool, é preciso enxógalhar a garrafa todos os dias."&lt;br /&gt;Enxógalhar é um pormenor que pode fazer toda a diferença. A palavra enxógalhar é de tal forma habitual que só por acaso me ocorreu tratar-se de uma palavra que não existe no dicionário. O dicionário diz que a palavra correcta é agitar, eu digo enxógalhar. Digo enxógalhar porque todos me perceberão melhor e também porque esta é uma daquelas palavras que têm o sabor, o cheiro e as cores da infância. A palavra enxógalhar pertence às pessoas simples que talvez saibam mais do que as pessoas que sabem coisas muito complicadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1416022357598042813?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1416022357598042813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1416022357598042813&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1416022357598042813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1416022357598042813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/11/enxogalhar.html' title='enxógalhar'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7197200960757620198</id><published>2011-11-22T21:27:00.000Z</published><updated>2011-11-23T00:08:18.745Z</updated><title type='text'>ficar com as calças na mão</title><content type='html'>- Fiquei com as calças na mão!&lt;br /&gt;A primeira vez em que ouvi esta expressão era ainda criança.Talvez tivesse sido o meu pai, talvez o meu tio, talvez o meu avô. Um deles usou esta expressão numa conversa de pessoas grandes e suscitou a minha curiosidade&lt;br /&gt;- Fiquei com as calças na mão!&lt;br /&gt;Na altura em que ouvi esta expressão pela primeira vez, eu não sabia ainda nada sobre metáforas. As palavras tinham o sentido literal, apenas esse e mais nenhum. Foi por isso que eu imaginei o quadro, muito provável na época, de alguém que ia fazer as suas necessidades no meio de um pinhal, ou atrás das canas de uma fazenda, ou num poio mais afastado do caminho, e era surpreendido por outra pessoa que por ali andava, antes de ter tempo de voltar a compor-se.&lt;br /&gt;- Fiquei com as calças na mão!&lt;br /&gt;Era mesmo isso que acontecia por vezes. As pessoas trabalhavam no campo, faziam longos percursos a pé, e quando precisavam utilizavam um destes lugares, supostamente mais escondidos. Ora, como eram muitos os que procuravam lugares mais escondidos para o mesmo fim, nada mais normal do que muitos serem literalmente apanhados "com as calças na mão".&lt;br /&gt;- Fiquei com as calças na mão!&lt;br /&gt;Por ser uma possibilidade tão real e possível, e deveras embaraçosa, é que as pessoas a transformaram  numa bela metáfora. Uma pessoa fica com as calças na mão quando é apanhada desprevenida, totalmente desprevenida. Quando é apanhada desprevenida e fica sem saber o que fazer, porque já foi apanhada de qualquer maneira.&lt;br /&gt;São poucos os que não estão com as calças na mão!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7197200960757620198?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7197200960757620198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7197200960757620198&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7197200960757620198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7197200960757620198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/10/ficar-com-as-calcas-na-mao.html' title='ficar com as calças na mão'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-229153702948473155</id><published>2011-10-27T20:27:00.004+01:00</published><updated>2011-10-28T00:10:03.717+01:00</updated><title type='text'>a discrição do padre</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Talvez nos tenhamos cruzado na Rua dos Netos, no tempo em que a Rua dos Netos era a rua da rádio, a minha rua de todos os dias de trabalho. Talvez nos tenhamos cruzado mas a verdade é que não me lembro da figura de um padre que alguns recordam até hoje por causa da história que eu vou contar.&lt;br /&gt;Contaram-me a história que eu vou contar a propósito de uma conversa que surgiu como as cerejas a partir de outra história que também aqui hei-de contar e que surgiu como as cerejas, a propósito de um simples um copo de vinho.&lt;br /&gt;Pois bem.&lt;br /&gt;Havia um padre que passava muito na Rua dos Netos. Entrava sozinho no bar do senhor José, e pedia dois cálices de aguardente. Vendo-o sozinho, perguntavam-lhe: para quem é o segundo? Ele respondia que era para um colega, que vinha atrás, mesmo atrás, já devia estar quase a entrar.&lt;br /&gt;O padre bebia de um único gole o seu cálice de aguardente. Depois dirigia-se até à porta, como quem procurasse o suposto colega, olhava para um lado, olhava para o outro e voltava para junto do balcão. Com um encolher de ombros, bebia o segundo cálice, enquanto explicava, fingindo surpresa, que o colega, afinal, não apareceu.&lt;br /&gt;Ora bem.&lt;br /&gt;Segundo a interpretação do colega que me contou esta história, guardada carinhosamente por entre as memórias do tempo em que a Rua dos Netos era a nossa  Rua por ser a rua da rádio, o Padre com quem talvez eu também me tenha cruzado mas não me lembro, era um padre discreto. Não queria dar nas vistas, não queria parecer demasiado ávido por bebida, não queria ser criticado. O padre que bebia dois cálices de aguardente no bar do senhor José queria tanto passar despercebido que acabou ficando na história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-229153702948473155?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/229153702948473155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=229153702948473155&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/229153702948473155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/229153702948473155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/10/discricao-do-padre.html' title='a discrição do padre'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-9111475822124517683</id><published>2011-10-10T17:12:00.009+01:00</published><updated>2011-10-10T17:31:04.508+01:00</updated><title type='text'>uma frigideira mascarrando uma panela</title><content type='html'>Situações do dia-a-dia conduzem-me muitas vezes à recordação desta expressão, que na minha juventude ouvia da boca das pessoas mais velhas.&lt;br /&gt;Esta expressão era utilizada com propriedade nos momentos em que alguém criticava outra pessoa, sem se aperceber que cometia os mesmos erros, aqueles que apontava, talvez até mais alguns, e quem sabe bem mais graves.&lt;br /&gt;Antigamente tanto as panelas como as frigideiras andavam sempre mascarradas porque eram colocadas directamente sobre as pedras do lar, apanhando com o fogo da lenha praticamente em toda a superfície. Ora, uma frigideira tem menos superfície para mascarrar do que uma panela.&lt;br /&gt;A expressão faz sentido e tem piada. O que eu gostava era que não se tivesse banalizado tanto o contexto em que encaixa como uma luva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-9111475822124517683?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/9111475822124517683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=9111475822124517683&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/9111475822124517683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/9111475822124517683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/10/uma-frigideira-mascarrando-uma-panela.html' title='uma frigideira mascarrando uma panela'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6446253839459140723</id><published>2011-10-07T23:43:00.001+01:00</published><updated>2011-10-07T00:55:09.372+01:00</updated><title type='text'>cravos e rosas</title><content type='html'>O meu amor é um cravo&lt;br /&gt;Foi o qu'o craveiro deu&lt;br /&gt;Toda a gente tem inveja&lt;br /&gt;Daquele cravo ser meu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou cravo, tu és rosa&lt;br /&gt;Qual de nós se estima mais&lt;br /&gt;Os cravos andam pelas janelas&lt;br /&gt;E as rosas pelos quintais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa que 'tás na roseira&lt;br /&gt;deixa-te 'tar fechadinha&lt;br /&gt;qu'eu vou lá fora e venho&lt;br /&gt;Rosa tu vais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;seres&lt;/span&gt;  minha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero amor alto&lt;br /&gt;Que não me caiba na porta&lt;br /&gt;Quero um amor rasteirinho&lt;br /&gt;Com'um craveiro na horta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menina por ser bonita&lt;br /&gt;não julgue que mais merece&lt;br /&gt;quanto mais bonita é a rosa&lt;br /&gt;mais depressa desvanece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó chama-se rosa&lt;br /&gt;minha mãe Rosa Maria&lt;br /&gt;Eu também me chamo Rosa&lt;br /&gt;Minha mãe c'a rosaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui até à minha terra&lt;br /&gt;é tudo caminho chão&lt;br /&gt;é tudo cravos e rosas&lt;br /&gt;plantados por minha mão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas quadras populares, como estas que recolhi no Sítio da Ribeira dos Pretetes (Caniço) em 1986, mencionam estas duas flores tão comuns: cravos e rosas.&lt;br /&gt;Normalmente, o povo utiliza a imagem do cravo para se referir aos rapazes e a da rosa para se referir às raparigas. Cravos e rosas nos jardins. Rapazes e raparigas  nas eiras, nos adros das igrejas, nos bailaricos, nos afazeres diários, à distância exigida pelas convenções da época, mas nunca separados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6446253839459140723?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6446253839459140723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6446253839459140723&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6446253839459140723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6446253839459140723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/10/cravos-e-rosas.html' title='cravos e rosas'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8377361120248606367</id><published>2011-10-06T00:37:00.006+01:00</published><updated>2011-10-06T01:08:03.563+01:00</updated><title type='text'>dívidas e pecados</title><content type='html'>"Dívidas e pecados cada um paga por si."&lt;br /&gt;A minha mãe utilizou esta sábia expressão, numa conversa simples que tivemos hoje à tarde.&lt;br /&gt;Vim embora e trouxe-a comigo, presa ao ouvido.&lt;br /&gt;Penso: é bem verdade. As minhas dívidas e os meus pecados, mais ninguém paga senão eu.&lt;br /&gt;Penso: que máxima interessante. Se cada um pagar pelas suas dívidas e pelos seus pecados, tudo está certo no mundo.&lt;br /&gt;Mas depois penso no mundo. Depois penso no mundo em ponto pequeno onde vivo e trabalho. Depois percebo que já não e bem assim. Depois entristeço-me. Porque até as máximas mais universais começam a perder actualidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8377361120248606367?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8377361120248606367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8377361120248606367&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8377361120248606367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8377361120248606367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/10/dividas-e-pecados.html' title='dívidas e pecados'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6286339842817369616</id><published>2011-10-02T16:39:00.008+01:00</published><updated>2011-10-03T00:41:03.836+01:00</updated><title type='text'>de arrancar castanheiros</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Para além da massa cortada grada, a sopa tinha de tudo e mais alguma coisa: nabo, semilha, batata, feijão, pimpinela, abóbora amarela, cebola, cenoura, vajinha, maçarocas, couve fechada, folhas de couve, inhame, e ainda abundantes bocados  de carne de vaca com um pouco de gordura e talvez mais alguma coisa de que não me lembro.&lt;br /&gt;O meu pai deixou a enxada a meio do poio, no local exacto onde cavara as últimas semilhas e onde deveria recomeçar a tarefa, sacudiu a terra das botas d'água, lavou as mãos no poço de lavar, entrou na cozinha, sentou-se à frente do prato fumegante, esfregou as mãos de contente e exclamou: - "Esta é de arrancar castanheiros."&lt;br /&gt;Duas colheradas depois, voltou a gabar a sopa e a usar o dito dos castanheiros. Contive-me. Deixei passar mais um bocadinho, mas algumas colheradas depois lá estavam as minhas inevitáveis perguntas sobre a expressão "de arrancar castanheiros", às quais respondeu com bom humor. Graças a um prato de sopa à moda da minha mãe, fiquei a saber que os castanheiros são as árvores mais difíceis de arrancar. Por isso se diz dos pratos mais substanciais, daqueles que dão muita energia, que são "de arrancar castanheiros".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6286339842817369616?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6286339842817369616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6286339842817369616&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6286339842817369616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6286339842817369616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/10/de-arrancar-castanheiros.html' title='de arrancar castanheiros'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-9198553380247743270</id><published>2011-09-27T13:14:00.004+01:00</published><updated>2011-10-01T02:06:02.117+01:00</updated><title type='text'>um maranho</title><content type='html'>&lt;div&gt;O movimento da loja justifica três funcionários na caixa, em simultâneo. Uma funcionária regista os produtos e informa sobre o preço, outra funcionária dobra as peças de roupa, e um terceiro  funcionário passa-lhe o saco para as guardar.&lt;br /&gt;Repetem gestos  mecanicamente, enquanto conversam.&lt;br /&gt;Retiro o cartão multibanco, espero que me passem a máquina, confirmo o preço, escrevo o código, escuto a conversa.&lt;br /&gt;- "É um maranho que nunca mais acaba!" resume o funcionário, encerrando o diálogo sobre o assunto do momento, o assunto de que todos falam e que a todos diz respeito: a dívida da Madeira. Um maranho!&lt;br /&gt;O povo foi ao adjectivo emaranhado, que significa embaraçado, enredado,  e decidiu encontrar-lhe um substantivo. E aqui está ele: um maranho. Tomara que não estivesse!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-9198553380247743270?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/9198553380247743270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=9198553380247743270&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/9198553380247743270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/9198553380247743270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/09/um-maranho.html' title='um maranho'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2421466018344810693</id><published>2011-08-18T22:44:00.000+01:00</published><updated>2011-10-01T01:51:17.591+01:00</updated><title type='text'>bebé com cuspo na boca</title><content type='html'>- "Vejam, a menina tem cuspo na boca!" E até esse pequeno pormenor suscita graças e mimos, e exclamações e conversas dirigidas à bebé naquelas estranhas vozes que os adultos não resistem a fazer na presença de crianças de colo.&lt;br /&gt;Olho  com atenção para a bebé e reparo que na verdade tem um pouco de espuma na boca minúscula, onde parece formar-se uma muito mais minúscula bola transparente, tipo bolinha de sabão.&lt;br /&gt;Aquilo que não passa de um pequeno pormenor, motivo de distracção para nós, ganha outra dimensão com a chegada da avó.  A avó aproxima-se e de repente tudo está explicado: " - Coitadinha, tem comichão!"&lt;br /&gt;Comichão. A avó é a única pessoa a saber que a bebé sente comichão, por causa desse pormenor a que ninguém tinha dado importância. "- Quando os bebés têm cuspo na boca é porque sentem comichão."&lt;br /&gt;Este é um dos muitos atributos das avós: desvendarem os mistérios do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2421466018344810693?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2421466018344810693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2421466018344810693&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2421466018344810693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2421466018344810693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/07/bebe-com-cuspo-na-boca.html' title='bebé com cuspo na boca'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1112001897518063560</id><published>2011-07-09T14:29:00.001+01:00</published><updated>2011-09-26T00:14:08.897+01:00</updated><title type='text'>pôr o soalho num prato</title><content type='html'>- "Ela põe o soalho num prato!" A frase é dita com admiração e por isso as palavras saem mais lentamente do que o normal. Cada palavra tem um contorno, um peso; a frase parece mais erudita do que é realmente, graças à forma solene como são pronunciadas as palavras. Para que fique bem claro o elogio.&lt;br /&gt;Um "soalho num prato" é um soalho impecavelmente limpo. Tão limpo que cintila e faz pena pisá-lo. "Está num prato", exclama a mulher, voltando a admirar o trabalho de outras mãos. Há mãos assim, especiais. Mãos que fazem brilhar as coisas em que tocam. Mãos que conseguem pôr qualquer soalho num prato.&lt;br /&gt;Mais tarde, a explicação que procuro: "Então não vês que está tão limpo como o fundo de um prato, pronto a se deitar o comer dentro? Até está luzindo!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1112001897518063560?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1112001897518063560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1112001897518063560&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1112001897518063560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1112001897518063560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/08/por-o-soalho-num-prato.html' title='pôr o soalho num prato'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6319412716502609343</id><published>2011-06-15T00:13:00.000+01:00</published><updated>2011-07-27T15:59:57.179+01:00</updated><title type='text'>muito mal ouvisto</title><content type='html'>"- Ele é muito mal ouvisto!"&lt;br /&gt;A senhora Maria Isabel dizia estas palavras de repreensão como se fossem palavras de carinho. Afagou o cão que acabava de acusar de ser mal ensinado, e reafirmou: "Ele é muito mal ouvisto." Depois, ainda com a mão afagando a cabeça do animal, perguntou: "É, não é?"&lt;br /&gt;O cão só queria brincadeira e voltava a colocar as patas da frente sobre o colo das visitas, indiferente ao facto de a dona o ter apelidado de "mal ouvisto".&lt;br /&gt;A cena deliciou-me tanto com a expressão que não ouvia há muito tempo. Mal ouvisto.&lt;br /&gt;Quem é que nunca foi mal ouvisto?&lt;br /&gt;Lembro-me de a minha mãe se queixar de eu ser mal ouvista quando na dolescência me pedia para eu fazer alguma tarefa doméstica, exactamente na hora em que estava no auge o episódio do Sandokan ou do Tarzan, na televisão acabada de ser instalada em casa. Ou quando me custava sair da cama para percorrer quase hora de caminho nos piores dias de Inverno, até chegar à escola. E quando. Quando tanta coisa. Cenas semelhantes às que vim a viver com a minha filha, apenas com a diferença dos nomes dos programas e dos canais de televisão, e do computador no lugar dos livros.&lt;br /&gt;Nada mais normal do que as crianças e os adolescentes serem mal ouvistos, não em exagero mas na medida certa.&lt;br /&gt;E os adultos? Também. Acho que os adultos podem e, em alguns casos, até devem ser mal ouvistos. O mais difícil é conseguirem sê-lo com os motivos certos, nos momentos certos e na medida certa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6319412716502609343?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6319412716502609343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6319412716502609343&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6319412716502609343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6319412716502609343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/06/muito-mal-ouvisto.html' title='muito mal ouvisto'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7813095915835365304</id><published>2011-05-23T10:20:00.005+01:00</published><updated>2011-05-23T10:20:00.428+01:00</updated><title type='text'>Amigados</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na infância proibiram-me a palavra amigo. Uma palavra ondulante, bonita, que aprendera no livro da primeira classe, e que eu senti orgulho em usar pela primeira vez, quando anunciei que um amigo da escola ia lá a casa brincar connosco. Planeávamos fazer manteiga a partir do polén amarelo que saía da flor do pinheiro. Planeávamos procurar ninhos, planeávamos construir uma casa com ramos de acácia e muito mais.&lt;br /&gt;A minha avó e a minha mãe disseram-nos que a palavra amigo não era uma palavra bonita. A pessoa que vinha brincar nessa tarde era, sim, um colega. A palavra colega não tinha problema nenhum e podíamos dizer as vezes que quiséssemos. Amigo, porém, era uma palavra proibida. Uma palavra má.&lt;br /&gt;Matutei naquele episódio durante muito tempo sem chegar a qualquer conclusão. Apalavra era bonita, e ondulava quando se dizia, todas as palavras deviam ser assim, ondulantes. Então, porquê? Mas nesse tempo não se explicava nada às crianças. Era assim e acabou-se a conversa.&lt;br /&gt;A memória desta proibição e a dor de ter sido privada de uma palavra tão bonita durante anos, tornou-se mais nítida quando, há poucos dias, ouvi uma conversa entre um casal de idosos. Conversavam e eu percebi que tentavam esclarecer quem era quem, não faço ideia a propósito de quê. Era uma daquelas conversas dos velhos - velhos também é uma palavra bonita - que, de repente, sentem necessidade de se localizarem num mapa. Lembram-se dos que já morreram, dos que enviuvaram, dos que embarcaram e voltaram, dos que nunca mais viram.&lt;br /&gt;- Aquele que era amigado com a Filha de não sei quem, não sei de onde?&lt;br /&gt;- Esse mesmo. Deixou a mulher e amigou-se com ela, quando arranjou aquele trabalhinho lá em cima.&lt;br /&gt;Amigados. Eram amigados.&lt;br /&gt;Lembro-me mais desta palavra, mas as pessoas também utilizavam amancebados como sinónimo de amigados. Os  amigados eram aqueles que juntavam os trapinhos sem a bênção do casamento pela igreja. Eram casos tão raros que de imediato se tornavam no assunto do momento na freguesia inteira e até fora dela, e como pude comprovar, ainda hoje são óptimas formas de identificação de conhecidos e vizinhos de outros tempos.&lt;br /&gt;Uma vez, ouvi numa conversa entre adultos: " O marido da Maria arranjou uma amiga para os lados do Funchal e agora nem sequer vem a casa." Foi talvez o primeiro caso do meu sítio. E presumo que seria ainda pior se fosse ao contrário: "A Maria arranjou um amigo".&lt;br /&gt;Foi por isto que me roubaram uma palavra ondulante e bonita.&lt;br /&gt;Mas. Aquilo que nos tiram, cresce sempre em nós com mais vigor. Hoje, a palavra amigo e a palavra amiga sãos dos maiores tesouros que carrego para todo o lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7813095915835365304?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7813095915835365304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7813095915835365304&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7813095915835365304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7813095915835365304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/05/amigados.html' title='Amigados'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4578010248158491855</id><published>2011-05-22T01:27:00.000+01:00</published><updated>2011-05-22T23:58:13.451+01:00</updated><title type='text'>alguém te perguntou?</title><content type='html'>Aguardava-se com solenidade a chegada do Espírito Santo. Com a casa cheirando a flores, a vinho e a bolo doce. Com as portas abertas à espera da visita. Com as coisas todas lavadas, com uma arrumação mais cuidada do que o habitual. Não havia foguetes mas a música de fôlego dava sinal do percurso e tonava o ambiente ainda mais festivo.&lt;br /&gt;- Vou convidar este, aquele e mais outro...e tal, porque eles ajudam-me muito quando eu preciso, porque sempre me dão a mão, são meus amigos...&lt;br /&gt;- Alguém te perguntou quantos anos tens?&lt;br /&gt;A conversa pareceu-me tão a despropósito que fiquei sem saber o que dizer.&lt;br /&gt;- Não sabias desta moda antiga?&lt;br /&gt;Tantas coisas que ainda desconheço! Não, não sabia. Nunca tinha ouvido. O que é que a data dos anos tem a ver com aquilo que estava a ser dito?&lt;br /&gt;- "Nada. Mas era isto que se dizia antigamente, quando alguém se dava à maçada de explicar algo que não lhe tinha sido perguntado."&lt;br /&gt;E pelos vistos a resposta tanto podia ser desta forma interrogativa, como na afirmativa: "Ninguém te perguntou quantos anos tens." Ponto. Ou seja: ninguém está interessado nessas justificações, porque ninguém as pediu. Ponto.&lt;br /&gt;Nesse tempo vivi-se e sentia-se tudo de forma mais simples. Se não fosse feio, eu teria inveja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4578010248158491855?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4578010248158491855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4578010248158491855&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4578010248158491855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4578010248158491855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/05/alguem-te-perguntou.html' title='alguém te perguntou?'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-164779352346071535</id><published>2011-05-21T01:12:00.005+01:00</published><updated>2011-05-22T23:05:17.655+01:00</updated><title type='text'>sábado, domingo e segunda</title><content type='html'>Perante a indecisão do céu no início deste sábado, a esperança impôs-se, vitoriosa. Tudo por causa de um ditado.&lt;br /&gt;A "- Dizem que não há sábados sem sol..."&lt;br /&gt;B:"- Minha mãe sempre disse: não há sábado sem sol, não há domingo sem missa e não há segunda sem preguiça."&lt;br /&gt;C:"- Eu cá sempre ouvi dizer que não há sábado sem sol, nem há noiva sem lençol..."&lt;br /&gt;Eu conhecia apenas a versão do sábado com sol e da noiva com lençol e fiquei surpresa com este achado. Que engraçado!&lt;br /&gt;Não há sábado sem sol, não há domingo sem missa, não há segunda-feira sem preguiça.&lt;br /&gt;Esta versão, que alarga o ditado até à segunda-feira, coincidindo com a tradição do Dia dos Mestres, é dita em Santo António. A tão curta distância, no Caniço, o dito resume-se ao sábado, ou talvez seja aquilo que sobreviveu do mais completo.&lt;br /&gt;O sol apareceu, naturalmente. Cumprindo a tradição. Caminhamos para a missa do domingo e depois para a preguiça da segunda-feira.&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-164779352346071535?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/164779352346071535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=164779352346071535&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/164779352346071535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/164779352346071535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/05/sabado-domingo-e-segunda.html' title='sábado, domingo e segunda'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6062783081724770532</id><published>2011-05-01T13:25:00.005+01:00</published><updated>2011-05-05T18:02:23.996+01:00</updated><title type='text'>o dia dos mestres</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Mais um dia e o Primeiro de Maio calharia este ano numa segunda-feira, o dia dos mestres.&lt;br /&gt;Sempre ouvi dizer que a segunda-ferira é o dia dos mestres, mas confesso que ainda não percebi exactamente porquê.&lt;br /&gt;Um colega de trabalho explicou-me que o dito estará relacionado com os trabalhadores da construção civil, que "passavam o fim de semana na venda, na bebedeira e, na segunda-feira ainda estavam de ressaca e trabalhavam muito pouco ou nada."&lt;br /&gt;De acordo com esta versão, a segundo feira seria o dia dos mestres, pelo facto de estes passarem o dia praticamente na vadiação, sem render no trabalho. Assim sendo, tinham uma "folga extra" porque sabendo disso, as pessoas não gostavam de os contratar nesse dia.&lt;br /&gt;Para a minha mãe, a interpretação é diferente e não está relacionada com os mestres da construção civil mas sim com os da obra de vimes, arte a que se dedicavam grande parte dos homens do sítio.&lt;br /&gt;A segunda-feira, sendo o primeiro dia útil da semana, era o dia que os trabalhadores da obra de vimes dedicavam à preparação do material que usariam para os fundos, para as bandejas, os cestos e para todos os objectos que tinham de encomenda.&lt;br /&gt;Chegavam à tenda mais tarde, por volta do meio-dia, e dedicavam-se a aguçar os vimes, colocando-os de seguida de molho no poço que havia para o efeito junto à tenda. No que ficava do dia, iam para casa descansar, às vezes depois de encetar o trabalho tapando uma bandeja. No dia seguinte começariam a sério.&lt;br /&gt;Os mais malandros, tiravam mesmo o dia de folga: só quando chegavam, na terça-feira de manhã, é que ainda iam preparar os vimes e acabavam por só começavar a trabalhar na quarta-feira de manhã. Claro que aos sábados também era dia de trabalho.&lt;br /&gt;No meu sítio, quase ninguém se dedicava à construção civil e esta explicação tem lógica. No sítio da pessoa que me deu a primeira explicação, não era costume fazer obra de vimes. Talvez haja tantas explicações quanto as freguesias ou localidades. Fico à espera de outras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6062783081724770532?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6062783081724770532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6062783081724770532&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6062783081724770532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6062783081724770532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/05/o-dia-dos-mestres.html' title='o dia dos mestres'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4735425986149301621</id><published>2011-04-02T16:59:00.002+01:00</published><updated>2011-10-03T00:41:34.939+01:00</updated><title type='text'>puxar pelo focinho</title><content type='html'>- "Aquilo é que foi ela falar mais ainda. E c'uma brabeza!"&lt;br /&gt;- "Deveras?"&lt;br /&gt;- "Então não! Mas eu mesmo quando lhe disse aquilo era para lhe puxar pelo focinho."&lt;br /&gt;O falar mais, e ainda por cima com brabeza, foi o resultado de algo que fora dito de propósito. Uma verdade que, surgida de repente, dita cara a cara, desmascarando, sem alaridos, a inveja e a mentira da outra parte, feriu e desatou ainda mais uma língua desde sempre habituada à maledicência.&lt;br /&gt;- "Puxei-lhe pelo focinho, sim senhora", acrescentou sem conseguir esconder um sorriso de satisfação. Quando as pessoas não têm razão, ou calam-se ou exaltam-se para lá dos limites. Basta dizer-lhes, serenamente, uma pequena verdade. Sem acusar, sem gritar, sem nada disso. Pode ser uma simples pergunta que toque no lugar certo. Puxar pelo focinho. E depois ficar calmamente a ver a reacção.&lt;br /&gt;Acabo de ouvir a expressão "puxar pelo focinho" e voltei a achar piada a este sinónimo de desafiar, espicaçar e, na minha terra, de "enfuguitar um bespreiro".&lt;br /&gt;Ninguém reage bem a alguém que, mesmo na brincadeira, lhe puxe pelo nariz. Nem sequer as crianças e muito menos os adultos. Haverá reacção pela certa.&lt;br /&gt;Não nos faltam ocasiões para "puxar pelo focinho" de alguém. Na maioria das vezes, porém, fico quieta. Prefiro gastar a energia em actos mais positivos e úteis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4735425986149301621?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4735425986149301621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4735425986149301621&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4735425986149301621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4735425986149301621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/05/puxar-pelo-focinho.html' title='puxar pelo focinho'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-398191725265688375</id><published>2011-03-05T22:57:00.000Z</published><updated>2011-04-08T12:28:43.592+01:00</updated><title type='text'>Pensava que já tinha morrido!</title><content type='html'>Um grande sorriso iluminou-me o rosto quando, numa longa espera no centro de saúde, vejo quase a meu lado a senhora Maria José do Ti Germano. Ela sorriu também e trocámos palavras simples, porque as palavras complicadas são sempre dispensáveis.&lt;br /&gt;Ela ficou espantada com o tamanho da minha menina e até disse que parecíamos irmãs e eu agradeci-lhe o elogio com outro sorriso.&lt;br /&gt;Sentada numa cadeira do corredor, mesmo à entrada do gabinete para onde fazíamos fila, uma mulher olhava atentamente para a minha interlocutora. De repente, exclamou: - Não é a senhora Maria José de lá de cima, mãe do José, que trabalha nos carros do Caniço?&lt;br /&gt;O senhora Maria José abanou a cabeça, exibindo outro dos seus simpáticos sorrisos.&lt;br /&gt;- Sou sim senhora. Dele e de outros. Tenho mais filhos.&lt;br /&gt;A mulher sentada, sem mais demora, continuou: - Ah, eu pensava que já tinha morrido. Ainda hoje quando fosse comprar o passe, tinha a ideia de perguntar ao seu filho se já tinha morrido.&lt;br /&gt;A senhora Maria José não levou a mal e continuava sorrindo: - Quem já morreu foi o meu marido, já há mais de vinte anos.&lt;br /&gt;E a outra, mesmo depois destas explicações, insistia: - Pois eu cá pensava que a senhora já tinha morrido!&lt;br /&gt;Acho que a conversa ficou por aí. E mesmo que tenha continuado, eu já não ouvi mais nada porque chegou à minha vez.&lt;br /&gt;Passei o resto do dia a pensar na naturalidade com que ali se falou da morte. Algo que só as pessoas sábias e antigas conseguem fazer. Antigamente, a morte era enfrentada de forma muito mais natural.&lt;br /&gt;Lembro-me que os velórios dos bebés eram autênticas festas, onde as pessoas se divertiam durante toda a noite.&lt;br /&gt;Lembro-me de a minha avó me ter levado pela mão, ainda bem pequena, a casa do Ti José Miranda, onde o homem estava deitado dentro do caixão, vestido com o seu melhor fato, meias negras com ar de novo, mas sem sapatos.&lt;br /&gt;Lembro-me de ter sido levada pela mão a casa de uma amiga da minha avó, no Cabeço, onde ela tinha ido de visita com o bordado. A certa altura a mulher, idosa, abriu uma caixa de madeira e mostrou-lhe a roupa que tinha guardada para quando morresse. Mostrou a roupa cmo se mostrasse um tesouro. Era um longo vestido branco, como se fosse um vestido de noiva, porque essa senhora nunca tinha casado e merecia entrar no céu vestida de branco.&lt;br /&gt;Tudo isto mostra como a morte era mais natural. Porque toda a gente acreditava em Deus e acreditava no céu.&lt;br /&gt;Por isso é que as pessoas aceitavam a morte com serenidade, e preparavam-se para ela.  É urgente voltar a acreditar para viver sem medo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-398191725265688375?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/398191725265688375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=398191725265688375&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/398191725265688375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/398191725265688375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/02/pensava-que-ja-tinha-morrido.html' title='Pensava que já tinha morrido!'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5418101688527519440</id><published>2011-02-10T22:57:00.008Z</published><updated>2011-02-10T23:09:54.884Z</updated><title type='text'>Porco gabado</title><content type='html'>Sim, claro que sim. Trabalhos novos. Projectos interessantes. Novidades.&lt;br /&gt;Automaticamente, preparo-me para estender o microfone. Vamos gravar? De que se trata exactamente? Quando se concretizarão essas ideias?&lt;br /&gt;Quem? Como? Quando? Onde? Porquê?&lt;br /&gt;Calma. Alto lá, diria o meu avolito.&lt;br /&gt;Pausadamente, divertido, o meu interlocutor justifica o silêncio: - "Porco gabado não chega à Festa!"&lt;br /&gt;Sem outra alternativa a não ser concordar, divirto-me também e registo a expressão mais certa do que muitas outras. E que é apenas uma maneira bem mais engraçada de dizer que o segredo é a alma do negócio ou talvez que não se deve contar com o ovo no cu da galinha. E o mau olhado? E a invejidade?&lt;br /&gt;Porco gabado não chega à Festa. O melhor é apresentar o trabalho feito e deixar as palavras para depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5418101688527519440?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5418101688527519440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5418101688527519440&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5418101688527519440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5418101688527519440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/02/porco-gabado.html' title='Porco gabado'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2144206057231892419</id><published>2011-02-07T18:49:00.008Z</published><updated>2011-02-10T22:56:43.182Z</updated><title type='text'>quem dá o que tem</title><content type='html'>- Mas não tinhas um?&lt;br /&gt;- Tinha, mas dei. Na altura não pensei que viesse a precisar.&lt;br /&gt;- Pois então, paciência! Nunca ouviste dizer: "Quem dá o que tem, a pedir vem"?&lt;br /&gt;O objecto não interessa, porque podia ser um qualquer. O ditado é que tem piada e talvez venha a ser mais lembrado nesta altura de crise.&lt;br /&gt;É claro que conhecia o dito antigo, mas sem nunca o ter levado muito a sério, talvez pelo meu feitio de não deitar fora coisas que supostamente e remotamente ainda me possam vir a ser úteis. Claro que a falta de espaço acaba por nos tornar mais flexíveis nestas questões. E claro que não é bom ter em casa coisas que não têm uso. E claro que fico contente quando posso oferecer algo que faça mais jeito a outrem num determinado momento. Nem se pensa mais nisso. Nem nada disso está em questão.&lt;br /&gt;O que é para aqui chamado é este ditado antigo, que talvez volte a fazer sentido para muita gente em tempo de vacas magras: "Quem dá o que tem a pedir vem".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2144206057231892419?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2144206057231892419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2144206057231892419&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2144206057231892419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2144206057231892419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/02/quem-da-o-que-tem.html' title='quem dá o que tem'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4445301785369856111</id><published>2011-01-30T00:55:00.026Z</published><updated>2011-02-10T23:20:36.912Z</updated><title type='text'>alpardinha</title><content type='html'>Alpardinha é o meu momento preferido do dia. Alpardinha é o momento entre a tarde e o anoitecer em que todas as coisas adquirem uma cor misteriosa e um sossego sem nome. Há um silêncio que parece de espanto. Um silêncio que nos prepara para o descanso da noite mas que nos dá tempo para olharmos para trás e nos despedirmos de um dia que pode ter sido alegre, que pode ter sido triste, que pode ter sido tudo, que pode ter sido nada.&lt;br /&gt;Tenho saudades de percorrer os caminhos da minha terra quando está alpardinha e se ouve aqui um barulho de água correndo numa levada, ali uma porta que se fecha, além um cão ladrando ao dono que chega a casa. Tenho saudades dos momentos entre a tarde e o anoitecer em que todas as coisas adquirem uma cor e um silencioso misteriosos.&lt;br /&gt;Sempre associei alpardinha ao fim da tarde. Mas o meu pai também diz que está alpardinha quando o dia ainda se espreguiça. É alpardinha também esse momento de uma estranha cor, em que o sol ainda não saiu e a noite, preguiçosa, demora em retirar-se. Por uma questão de horários de trabalho, esta é agora a única alpardinha que posso apreciar. Olhá-la-ei com mais atenção. Apesar das saudades da verdadeira alpardinha. As saudades por vezes não nos deixam ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4445301785369856111?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4445301785369856111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4445301785369856111&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4445301785369856111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4445301785369856111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/01/alpardinha.html' title='alpardinha'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8139699097075123913</id><published>2011-01-01T16:10:00.015Z</published><updated>2011-01-13T21:14:26.804Z</updated><title type='text'>Um povice</title><content type='html'>Gente, gente e mais gente. Na noite de São Silvestre todos os lugares pareciam ter gente a mais. Antes do fogo, durante o fogo, e depois do fogo. A caminho dos melhores locais para presenciar o espectáculo, nos restaurantes da cidade, nas ruas, nos locais com melhor visibilidade e depois, nas inúmeras festas para assinalar a passagem de ano.&lt;br /&gt;Lembrei-me da palavra "povice", antigamente muito utilizada para referir aglomerados de pessoas para além do normal.&lt;br /&gt;- Estava um povice!&lt;br /&gt;Se estava! Mas valeu a pena.&lt;br /&gt;Bom ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8139699097075123913?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8139699097075123913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8139699097075123913&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8139699097075123913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8139699097075123913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2011/01/um-povice.html' title='Um povice'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3646822983720348007</id><published>2010-12-16T14:45:00.009Z</published><updated>2010-12-16T15:04:06.529Z</updated><title type='text'>a consciência numa folha de vinha</title><content type='html'>A conversa girava à volta de uma pessoa de atitudes muito pouco honestas. Um caso daqui, um caso dacolá, e lá se ia compondo uma descrição nada abonatória. As expressões mostravam ora indignação, ora incredulidade, ora simples reprovação.&lt;br /&gt;- "A consciência estava numa folha de vinha, passou uma cabra, comeu a folha de vinha, lá se foi a consciência."&lt;br /&gt;O Quê? É isso mesmo. Esta expressão muito antiga, segundo percebi, é utilizada para reforçar a ideia da ausência de consciência, que se reflecte nas atitudes de uma pessoa em relação aos outros.&lt;br /&gt;A conversa continuou, mas eu já tinha desligado. Pensava na imensa quantidade de folhas de vinha de repente comidas por um qualquer animal que passava. De contabilização impossível!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3646822983720348007?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3646822983720348007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3646822983720348007&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3646822983720348007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3646822983720348007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/12/consciencia-numa-folha-de-vinha.html' title='a consciência numa folha de vinha'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7187569598107091100</id><published>2010-11-29T12:48:00.006Z</published><updated>2011-02-10T22:57:08.561Z</updated><title type='text'>requinquesta e recuesta</title><content type='html'>O meu avolito não nos acompanha no almoço do dia de Festa há muitos  natais. Já não é necessário alguém segurar-lhe no copo para ele beber  porque o meu avolito tremia das mãos desde que me lembro. O meu avolito  já não é deste mundo e continua a ensinar-me coisas.&lt;br /&gt;Ao quinto dia antes da Festa, o meu avô chamava requinquesta e ao quarto  dia chamava recuesta. Seguiam-se a revéspera e a véspera de Festa.&lt;br /&gt;O ensinamento do meu avô ficou bem guardado num cantinho da memória da  minha mãe, e há dias, quando nos referíamos aos dias que antecedem o dia  de Natal, ela revelou-os. Nunca os tinha ouvido em mais lado nenhum, e questiono-me se outros pessoas usariam as mesmas expressões, ou se ele as teria inventado.&lt;br /&gt;Mas a que propósito o meu avolito inventaria duas palavras? O mais provável é que ele também as tivesse herdado dos seus antepassados. Seja qual o caso, aqui ficam registadas mais duas palavras e eu estou mais rica. Sinto-me afortunada com este tipo de heranças, mais do que se herdasse uma fortuna em bens materiais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7187569598107091100?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7187569598107091100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7187569598107091100&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7187569598107091100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7187569598107091100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/11/requinquesta-e-recuesta.html' title='requinquesta e recuesta'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6295628349281431444</id><published>2010-11-13T00:30:00.004Z</published><updated>2010-11-15T14:55:26.328Z</updated><title type='text'>a restolhada das galatrixas</title><content type='html'>-"Ouvi uma restolhada em cima do zinco do telheiro. Afinal era as galatrixas!"&lt;br /&gt;As galatrixas fizeram uma restolhada em cima do zinco do telheiro e conseguiram arrancar-nos algumas gargalhadas. A minha filha olhou para mim, depois olhou para o avô, depois para mim: " - Galatrixas? "&lt;br /&gt;Rimo-nos todos e o avô continuou a falar das galatrixas, embora ela lhe explicasse que o nome correcto é lagartixas.&lt;br /&gt;O nome galatrixa levou-me de volta à infância, era assim que ouvia chamar aos pequenos animais que os rapazes da escola conseguiam apanhar pela cabeça fazendo um laço na ponta de uma erva rija comprida. Depois deitavam atrás das raparigas para as assustar.&lt;br /&gt;No campo, muita gente ainda diz galatrixa e não é difícil perceber porquê. Basta dizer as duas palavras para perceber que é muito mais fácil dizer galatrixa do que lagartixa. Este é um fenómeno que acontece também com outras palavras, dizia-se a forma mais fácil e pronto. Para quê complicar? O importante era que os outros percebessem do que se falava. Quem é que não entende o que é a restolhada das galatrixas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6295628349281431444?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6295628349281431444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6295628349281431444&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6295628349281431444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6295628349281431444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/11/restolhada-das-galatrixas.html' title='a restolhada das galatrixas'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2491865139496802000</id><published>2010-10-29T11:34:00.000+01:00</published><updated>2010-10-29T13:09:12.564+01:00</updated><title type='text'>quando a maré deita....</title><content type='html'>Já agora. Já que estou aqui. Já que falamos sobre isto. Já agora.&lt;br /&gt;- "Ora essa! Quando a maré deita, é que se aproveita!"&lt;br /&gt; E foi assim que, sem estar à espera, fiquei a conhecer mais um ditado madeirense, ouvido na infância do meu interlocutor, nascido e criado no Porto da Cruz.&lt;br /&gt;Quando a maré deita é que se aproveita: as oportunidades devem ser agarradas no momento em que aparecem. Não antes, não depois, mas no momento em que nos surgem à frente. Antes não é o momento certo e depois já o momento passou.&lt;br /&gt;Parece fácil. Parece.&lt;br /&gt;No entanto, nem sempre o ser humano consegue actuar com esta precisão. Enquanto pensa, indeciso, a oportunidade desaparece e normalmente não volta, pelo menos dos mesmos termos. Pior do que isso, muitas vezes não conseguimos reconhecer a oportunidade deitada pela maré. E se não reconhecemos a oportunidade, como aproveitá-la?&lt;br /&gt;A primeira sabedoria é esta: reconhecer o que está à nossa frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2491865139496802000?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2491865139496802000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2491865139496802000&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2491865139496802000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2491865139496802000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/10/quando-mare-deita.html' title='quando a maré deita....'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2938681468732307668</id><published>2010-10-16T17:58:00.000+01:00</published><updated>2010-10-18T23:06:53.404+01:00</updated><title type='text'>trancas de ferro</title><content type='html'>-"Porta arrombada, trancas de ferro".&lt;br /&gt;Ouvi no meu sítio esta versão do conhecido ditado "Casa arrombada, trancas à porta" e resolvi registar a particularidade. Não bastam as trancas à porta, é necessário uma tranca de ferro.&lt;br /&gt;E isto não se aplica apenas às portas físicas, aplica-se também a outras portas, as mais importantes, que são as nossas portas emocionais.&lt;br /&gt;Mas é pena! Porque as trancas de ferro são difíceis de destrancar, mesmo por dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2938681468732307668?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2938681468732307668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2938681468732307668&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2938681468732307668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2938681468732307668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/10/trancas-de-ferro.html' title='trancas de ferro'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6243492586344254730</id><published>2010-10-12T17:57:00.005+01:00</published><updated>2011-10-03T00:47:36.815+01:00</updated><title type='text'>destrocar dinheiro na bandejinha da missa</title><content type='html'>Quando eu era criança e na minha paróquia a Igreja ainda era uma casa com dois quartos grandes no rés-do-chão, um para as mulheres e outro para os homens, havia uma mulher que tinha o estranho hábito de destrocar dinheiro na bandejinha das ofertas.&lt;br /&gt;Durante o ofertório, alguém ia circulando entre os presentes com uma bandejinha de vimes e eu gostava de ouvir o tilintar das moedas por entre o côro das orações, quando alguém as atirava com mais força e de uma altura maior.&lt;br /&gt;Quando a bandejinha chegava ao pé da tal senhora, em vez de atirar uma moeda de baixo valor, ela atirava uma maior, ou então uma nota de vinte escudos, daquelas que tinham a imagem do santo António de Lisboa, e começava a remexer em todo o dinheiro da bandeja retirando troco, de forma a que a sua oferenda fosse exactamente o valor que ela decidira.&lt;br /&gt;Aquela operação demorava uma eternidade e ninguém se conseguia aperceber de quanto ela retirava realmente da bandejinha de vimes onde todas as outras pessoas tinham colocado o seu humilde contributo. De maneira que as pessoas suspeitavam - ou talvez não, talvez dissessem aquilo devido ao curioso da situação apenas - que ela talvez tirasse mais do que colocava. Quem sabe?&lt;br /&gt;O meu olhar de criança fixava-se nas mãos da mulher escolhendo troco e eu não percebia. Se a bandejinha era para colocar dinheiro porque é que ela o retirava? Já no longo caminho de regresso a casa, a minha mãe explicava-nos a tal operação do destrocar.&lt;br /&gt;Lembro-me sempre disto naquelas situações - que infelizmente não são poucas - em que por trocas e baldrocas a pessoa que supostamente está a dar, acaba ficando com mais do que aquilo que deu. Vejo alguém convocar toda a comunicação social para a entrega de um donativo e lá está, na minha memória, bem viva, a imagem da mulher que destrocava o dinheiro na bandejinha da igreja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6243492586344254730?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6243492586344254730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6243492586344254730&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6243492586344254730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6243492586344254730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/10/destrocar-dinheiro-na-bandejinha-da.html' title='destrocar dinheiro na bandejinha da missa'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6312675212029302009</id><published>2010-10-11T17:57:00.000+01:00</published><updated>2010-10-11T16:42:24.046+01:00</updated><title type='text'>uns peneirinhos</title><content type='html'>- "Estava uns peneirinhos!"&lt;br /&gt;Esta desculpa foi usada para cancelar um compromisso, ou alterá-lo talvez, não tenho a certeza. Sei que os peneirinhos foram responsáveis pela mudança de planos de alguém que falava ao telefone junto à tabacaria, quando ali passei.&lt;br /&gt;Deduzi que os peneirinhos eram nada mais nada menos do que a bezegaiazinha que caía nesse momento. Uma chuvinha muito fina, como se a chuva fosse peneirada algures no céu e à terra chegassem uns fiozinhos muito finos, tão finos que quase não molham.&lt;br /&gt;Estamos no Outono e estas chuvinhas finas fazem parte da época. Nunca tinha ouvido serem chamadas de "peneirinhos", mas faz todo o sentido, então não!&lt;br /&gt;Os peneirinhos deixam a paisagem lavada e brilhante. O Outono é bonito, escrevia eu no caderno de redacções, porque as folhas das árvores ficam com cores bonitas e caem no chão.&lt;br /&gt;O frio ligeiro torna-se aconchegante porque apetece mais estar em casa com uma manta à volta dos joelhos e apetece mais tomar chá e até apetece bordar e apetece ler e parece que há mais tempo para falar com as pessoas. O tempo é uma ilusão, eu sei que o tempo é um fato à medida e por mim ele continuará a tornar-se maior no Outono, mesmo sendo os dias bem mais pequenos. Os peneirinhos têm de tornar-se em chuva a sério quando tiver de ser, é essa a lei da Natureza. Só espero que tudo aconteça com conta, peso e medida.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6312675212029302009?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6312675212029302009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6312675212029302009&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6312675212029302009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6312675212029302009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/10/uns-peneirinhos.html' title='uns peneirinhos'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5492897368862454833</id><published>2010-10-10T17:58:00.005+01:00</published><updated>2010-10-10T18:14:34.010+01:00</updated><title type='text'>não dizer batatas duas vezes</title><content type='html'>- "Ele não diz batatas duas vezes. "&lt;br /&gt;Este foi sem dúvida o dito mais engraçado que a minha memória registou nos últimos tempos.&lt;br /&gt;É muito mais do que engraçado, chega a ser delicioso, e é utilizado para fazer referência às pessoas que tentam armar-se em mais do que aquilo que são.&lt;br /&gt;A explicação é muito simples: uma pessoa que se quer fazer mais erudita do que na realidade é, tenta dizer batata em vez de semilha, partindo do pressuposto de que semilha é o termo do povo, usado pelas pessoas de menos instrução.&lt;br /&gt;Mas quando as coisas são forjadas em vez de naturais, normalmente não correm bem. à segunda, sai semilha onde devia sair batata e entorna-se o caldo, melhor dizendo-se descobre-se o engano e o que sobressai é o ridículo da situação.&lt;br /&gt;Nada como cada um ser aquilo que é. Mas quando a sociedade dá mais valor à aparência do que à essência, é muito difícil resistir à tentação de tentar parecer. É de tal forma difícil, que todos aqueles que dizem batata à primeira e semilha à segunda merecem a minha compreensão e solidariedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5492897368862454833?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5492897368862454833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5492897368862454833&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5492897368862454833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5492897368862454833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/10/nao-dizer-batatas-duas-vezes.html' title='não dizer batatas duas vezes'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3720727932213210</id><published>2010-09-27T00:31:00.005+01:00</published><updated>2010-09-27T00:56:09.545+01:00</updated><title type='text'>pragas e prissões</title><content type='html'>Não acompanhei o início da conversa, mas a certa altura apercebi-me de que as duas mulheres falavam sobre pragas.&lt;br /&gt;- "Minha mãe sempre dizia que pragas são como prissões". As coisas que a minha avó sabia!&lt;br /&gt;- "Ora porquê? As prissões saem de um lugar, dão a volta e vão ter outra vez ao mesmo lugar." Imagino a procissão da padroeira, ao ritmo do hino da banda, mas logo me concentro no resto da explicação: - "Quem roga pragas, elas acabam por vir ter com a pessoa, como as prissões."&lt;br /&gt;Na minha terra as pessoas mais antigas ainda dizem "prissão" em vez de procissão, penso que por uma questão de economia.&lt;br /&gt;Nunca tinha ouvido este dito que compara as pragas às procissões, mas se a minha querida avó que Deus a tenha o dizia é porque deve ser verdade. A comprová-lo existem vários provérbios talvez mais modernos como "quem faz mal ao seu vizinho, o seu já vai pelo caminho" e aquele outro bem mais utilizado de "virar-se o feitiço contra o feiticeiro."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3720727932213210?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3720727932213210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3720727932213210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3720727932213210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3720727932213210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/09/pragas-e-prissoes.html' title='pragas e prissões'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7522890581782432097</id><published>2010-09-02T14:04:00.001+01:00</published><updated>2010-09-02T17:32:04.579+01:00</updated><title type='text'>fazer ramelas</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Desde criança que ouço a expressão" fazer ramelas" como sinónimo de causar inveja. " - Está te fazendo ramelas?" era a forma corrente de perguntar: "- Estás invejoso?"&lt;br /&gt;Não sei o que é que as ramelas têm a ver com a inveja, talvez o ponto de ligação seja o olhar, tal como na crença popular do "dar olhado"que é afinal uma forma de invejar, tão forte que acaba por causar mal à outra pessoa.&lt;br /&gt;"Fazer ramelas" é uma inveja bem mais inocente e que até pode ser levada na brincadeira, pelo menos é essa a impressão que me ficou de todas as vezes que ouvi a expressão.&lt;br /&gt;Às vezes digo quem me dera isto, quem me dera aquilo, gostava disto e daquilo, queria a, b, ou c. Mas pensando bem há bem poucas coisas que me façam ramelas. Talvez nenhuma. O ter faz na verdade pouco diferença; o SER é que faz a diferença toda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7522890581782432097?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7522890581782432097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7522890581782432097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7522890581782432097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7522890581782432097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/09/fazer-ramelas.html' title='fazer ramelas'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-110700935732785297</id><published>2010-08-31T00:04:00.030+01:00</published><updated>2010-08-31T15:50:00.510+01:00</updated><title type='text'>o sustento e o ensino</title><content type='html'>- "Quem dá o sustento, dá o ensino".&lt;br /&gt;Agarrei a frase no ar, fora de contexto, quando passava junto às duas mulheres que conversavam dentro de uma loja. Apercebi-me que falavam sobre uma criança. Provavalmente a propósito de alguma birra ou cena de má educação. Talvez a tivessem presenciado, quem sabe?Talvez eu a tenha perdido por instantes.&lt;br /&gt;- "Quem dá o sustento, dá o ensino".&lt;br /&gt;Agarrei no ar o antigo ditado que mantém uma actualidade indiscutível e decidi de imediato que merecia ser registado e metido pelos olhos dentro de muitos pais que hoje pensam que basta dar o sustento, e que o resto fica com os outros, não importa se é a televisão, o computador, a escola, os colegas, os avós ou sei lá que mais.&lt;br /&gt;- "Quem dá o sustento, dá o ensino." Ensino no sentido de educação, de valores, de ideiais. As crianças não precisam de ter todos os jogos que same no mercado nem todos os últimos modelos de telemóveis nem as roupas de marca que entenderam. Sem isso vivem bem. Mas não vivem bem sem o ensino. Assusta-me ver tanta gente a pensar o contrário e a fazer o contrário do ditado que apanhei no ar, fora de contexto, quando passava junto a duas mulheres que conversavam dentro de uma loja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-110700935732785297?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/110700935732785297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=110700935732785297&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/110700935732785297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/110700935732785297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/o-sustento-e-o-ensino.html' title='o sustento e o ensino'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1128245786053381897</id><published>2010-08-29T11:15:00.000+01:00</published><updated>2010-08-31T13:04:36.365+01:00</updated><title type='text'>nascer ao domingo</title><content type='html'>Segundo os antigos, o melhor dia para nascer era o domingo.&lt;br /&gt;Quem nascesse ao domingo tinha assegurada uma espécie de protecção especial: nenhum mal ou bruxaria poderia afectar a pessoa ao longo da vida.&lt;br /&gt;Não sei se isto é verdade.&lt;br /&gt;Só sei que nasci num sábado, mais um bocadinho e estava lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1128245786053381897?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1128245786053381897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1128245786053381897&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1128245786053381897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1128245786053381897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/nascer-ao-domingo.html' title='nascer ao domingo'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2093932469222489728</id><published>2010-08-24T00:54:00.012+01:00</published><updated>2010-08-26T13:07:06.515+01:00</updated><title type='text'>rabalhusca</title><content type='html'>- "Ela estava toda rabalhusca!" Quando usava este termo a minha avolita não estava verdadeiramente a fazer uma critica, porque ela sempre achou piada às pessoas de modos bruscos. A minha avolita ria-se quando alguém lhe falava de forma rabalhusca. Em vez de se irritar quando lhe falavam com falta de delicadeza, era capaz de se perder numa longa gargalhada, que contagiava toda a gente. A minha querida avó era assim, e eu tenho pena de não ter herdado dela essa qualidade.&lt;br /&gt;Os modos rabalhuscos, dependendo de onde vêm, e das circunstâncias em que acontecem, conseguem deixar-me ora triste, ora irritada, ora furiosa. Gostaria de conseguir fazer como a minha avó, de me rir muito e achar piada.&lt;br /&gt;Porém ela já não está cá para me ensinar como se faz isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2093932469222489728?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2093932469222489728/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2093932469222489728&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2093932469222489728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2093932469222489728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/rabalhusca.html' title='rabalhusca'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7252885855379195657</id><published>2010-08-19T10:48:00.003+01:00</published><updated>2010-08-19T11:01:49.829+01:00</updated><title type='text'>quem fala sozinho</title><content type='html'>- "Desculpe, estou falando sozinha".&lt;br /&gt;- "Tem dinheiro no banco!"&lt;br /&gt;- "Como?"&lt;br /&gt;-" Tem dinheiro no banco".&lt;br /&gt;E eu sem perceber.&lt;br /&gt;-"Então nunca ouvi este dito antigo? Já minha avó dizia: "Quem fala sozinho tem dinheiro no banco!"&lt;br /&gt;Ao lado, outra pessoa confirma: "É verdade, sim senhora, minha avó dizia a mesma coisa. Não me diga que nunca tinha ouvido, e gosta tanta destas coisas!"&lt;br /&gt;É verdade. Gosto destas coisas mas nunca tinha ouvido este dito, que engraçado! Porquê? Qual a relação entre falar sozinho e ter dinheiro no banco?&lt;br /&gt;- "Olhe, também eu fazia essa pergunta a minha avó, mas ela nunca soube me responder. Era uma coisa que ela já ouvia dos pais dela..."&lt;br /&gt;Talvez  as pessoas que tinham mais posses tivessem tendência a falarem muito consigo mesmas, deitando contas à vida, fazendo as contas do dito dinheiro, enquanto as outras, sem posses nenhumas, iam vivendo o dia a dia sem contas para fazer. Quem sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7252885855379195657?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7252885855379195657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7252885855379195657&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7252885855379195657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7252885855379195657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/quem-fala-sozinho.html' title='quem fala sozinho'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-9126557464845979499</id><published>2010-08-18T12:00:00.002+01:00</published><updated>2010-08-18T13:07:08.696+01:00</updated><title type='text'>Quem não poupa nem herda</title><content type='html'>Nestes seis anos de Rabo do Gato, tenho tido algum cuidado nas expressões que aqui coloco e reconheço ter feito alguma censura a frases mais brejeiras.&lt;br /&gt;Hoje não resisto a registar um provérbio que ouvi recentemente e diz assim: "Quem não poupa nem herda, não tem senão merda." No tempo em que o ditado foi inventado talvez fosse verdade, mas hoje todos sabemos que não.&lt;br /&gt;Poupar e herdar já não são as formas mais habituais de ter algo de seu. Bem pelo contrário: Quem mais tem normalmente nem herdou, nem poupou e muitas vezes nem trabalhou.&lt;br /&gt;Eis um bom exemplo de evolução da língua e dos costumes, em que os sábios ditados de outros tempos ficam totalmente desactualizados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-9126557464845979499?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/9126557464845979499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=9126557464845979499&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/9126557464845979499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/9126557464845979499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/quem-nao-poupa-nem-herda.html' title='Quem não poupa nem herda'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5481351744485240068</id><published>2010-08-17T10:24:00.005+01:00</published><updated>2010-08-17T10:42:20.907+01:00</updated><title type='text'>O enjoo do fumo</title><content type='html'>-"Não se suporta o enjoo do fumo". Uma vizinha da senhora que olhava à volta e via tudo abrasado e do senhor que perdeu uma gavela de bicharada, falou no enjoo do fumo. Mais uma vez pego na palavra e anoto-a no canto da memória onde vou guardando material para o blogue. Continua-se a usar enjoo como sinónimo de mau cheiro, ou talvez não seja exactamente sinónimo. Acho que o enjoo é pior do que o mau cheiro.&lt;br /&gt;Enjoo é um mal-estar normalmente com vómito, uma náusea, aquilo que muitas mulheres sentem durante o início da gravidez, aquilo que muitos sentem ao viajar de barco. Mas esse sentido só aprendi muito depois de ter aprendido o outro, o que a mulher do Ribeiro Serrão, ainda com a voz assustada, usou para se referir ao mau-cheiro. Na minha infância, enjoar era cheirar mal e não havia mais conversa. Enjoar também pode ser utilizado com sentido figurado, já ouvi e já usei. Por isso digo que não se suporta o enjoo do fumo nem se suporta o enjoo de tantas outras coisas, que não vale a pena aqui mencionar, para bom entendedor meia palavra basta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5481351744485240068?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5481351744485240068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5481351744485240068&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5481351744485240068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5481351744485240068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/o-enjoo-do-fumo.html' title='O enjoo do fumo'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8743209948527842497</id><published>2010-08-16T17:08:00.006+01:00</published><updated>2010-08-19T11:02:17.066+01:00</updated><title type='text'>uma gavela de bicharada</title><content type='html'>No mesmo sítio, um dos vários que ficou todo abrasado, um homem disse com o mesmo desespero na voz e o mesmo choro na alma: "Perdi uma gavela de bicharada!"&lt;br /&gt;Logo reparo em mais esta palavra da infância, a palavra gavela. A minha contava que quando ia ganhar dias na ceifa, nas chamuscas, fazia gavelas de trigo que mais tarde era debulhado na eira. Uma gavela é portanto uma mão-cheia, um punhado de espigas cortadas, amarrado com uma das palhas. Mas como acontece com muitas outras palavras, o sentido alarga-se a outras situações. Uma gavela passou a significar uma determinada quantidade, que não sei precisar e dependerá de quem utiliza a expressão. Uma gavela de bicharada serão quantos animais? Coitado o homem! Mesmo que fosse só um.&lt;br /&gt;Maldito Lume!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8743209948527842497?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8743209948527842497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8743209948527842497&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8743209948527842497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8743209948527842497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/uma-gavela-de-bicharada.html' title='uma gavela de bicharada'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6017013329752426229</id><published>2010-08-15T12:56:00.007+01:00</published><updated>2010-08-16T17:17:24.137+01:00</updated><title type='text'>Está tudo abrasado!</title><content type='html'>- "Está tudo abrasado!"&lt;br /&gt;Sentia-se o desespero na voz da mulher que descrevia assim a paisagem à sua volta, depois de uma noite inteira a tentar salvar uma casa humilde das chamas.&lt;br /&gt;-"Está tudo abrasado!"&lt;br /&gt;Lembrei-me que na infância também usava a palavra "abrasado", em vez de queimado. Está correcta mas não sei proquê caiu em desuso.&lt;br /&gt;Tocávamos numa coisa quente e dizíamos: - "Abrasei-me". O sol estava muito quente e dizíamos que estava abrasando.&lt;br /&gt;Graças à mulher do Sítio do Ribeiro Serrão que descrevia assim o que via à sua volta, lembrei-me desta palavra-memória. Gosto de me lembrar. Mas não assim, por motivos tão negros. Preferia tê-la esquecido para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6017013329752426229?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6017013329752426229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6017013329752426229&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6017013329752426229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6017013329752426229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/esta-tudo-abrasado.html' title='Está tudo abrasado!'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2044962963534272986</id><published>2010-08-11T12:55:00.037+01:00</published><updated>2010-08-11T13:38:29.848+01:00</updated><title type='text'>O gófio da Ti Joaquina</title><content type='html'>A minha bisavó materna chamava-se Joaquina e sabia fazer gófio. Nunca provei essa estranha comida mas sinto que a saboreei muitas vezes, à boleia das memórias de infância da minha mãe. Todas as vezes que a minha mãe fala da sua avó materna chamada Joaquina, recorda o sabor desse antigo prato com um entusiasmo e com uma saudade tão intensos que dá gosto ouvi-la e dá gosto participar nessa viagem ao passado.&lt;br /&gt;A minha bisavó Joaquina fazia gófio com centeio, que semeava, mondava, ceifava, malhava. Antes de levar ao moinho os grãos de centeio, a minha bisavó Joaquina que eu só conheço através destas memórias, torrava-os numa panela. Era por isso que a moleira ficava muito aborrecida quando a via chegar com o seu saco de centeio; as pedras do moinho ficavam sujas, que grande aborrecimento! Então a minha bisavó levava também um saquinho de trigo, para ser moido no final, assim as pedras do moinho ficavam tão limpas como estavam.&lt;br /&gt;A farinha de centeio era deitada dentro de um alguidar, enquanto a minha bisavó fazia à parte, na panela de ferro colocada sobre o lar, um guisado com muita cebola, tomate, feijão e outros legumes, bem temperado como só ela sabia e mais ninguém.&lt;br /&gt;Quando o guisado ficava pronto, deitava todo o conteúdo da panela para dentro do alguidar e amassava-o juntamente com o centeio, até ficar com a consistência ideal. Então, enquanto as crianças davam carreiras, entrando e saindo da cozinha e se acotovelavam à volta dela, aguardando o almoço, a Ti Joaquina fazia bolas redondas com a mistura do alguidar. Este prato é o que a minha mãe guarda como o mais saboroso de toda a sua infância.&lt;br /&gt;Todos sabemos que os sabores da infância têm um sabor único apenas se não voltar a haver oportunidade de se repetirem. E felizmente foi o que aconteceu com o gófio, um prato que julgo não ser confeccionado há muito tempo na Madeira, pelo menos nunca o vi em lugar nenhum nem ouvi falar dele a não ser nestas memórias maternas.&lt;br /&gt;O gófio deve ter sido trazido para a Madeira por influência das Canárias, onde também não o provei mas sei que é um prato tradicional e onde há cerca de 20 anos aprendi a seguinte quadra do folclore popular: "Isla de Fuerteventura/isla donde naci yo/isla de gofio e tarena/y de bon mojo picon."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2044962963534272986?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2044962963534272986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2044962963534272986&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2044962963534272986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2044962963534272986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/o-gofio-da-ti-joaquina.html' title='O gófio da Ti Joaquina'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6113238955704038789</id><published>2010-08-10T10:15:00.004+01:00</published><updated>2010-08-17T10:24:36.101+01:00</updated><title type='text'>Seis anos de Rabo do Gato</title><content type='html'>Basta que sim! O Rabo do Gato completa hoje seis anos. Os primeiros textos foram aqui colocados no dia 10 de Agosto de 2004. Actualmente tem cerca de 700 textos. São inúmeros, por vezes até eu me surpreendo, porque já não me lembrava de os ter escrito. Devido à extensão do blogue os textos não aparecem todos na página principal. Para aceder aos mais antigos basta clicar à direita em arquivo, no respectivo mês e ano.&lt;br /&gt;Muitas pessoas me perguntam porque não publicar estes textos em livro. Porque não? Esse continua a ser um objectivo mas dá tempo. Então não! O mais importante é continuar a registar. A minha memória fervilha de palavras e de histórias e espero daqui a um ano estar novamente aqui a fazer referência ao aniversário do blogue. OBRIGADA A TODOS pela leitura e pelo incentivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6113238955704038789?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6113238955704038789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6113238955704038789&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6113238955704038789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6113238955704038789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/08/seis-anos-de-rabo-do-gato.html' title='Seis anos de Rabo do Gato'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5045382101210528152</id><published>2010-05-25T18:11:00.005+01:00</published><updated>2010-05-25T23:39:15.126+01:00</updated><title type='text'>"O Rabo do Gato" no Colóquio "O Património Cultural Imaterial de Machico"</title><content type='html'>No próximo sábado, dia 29 de Maio, "O Rabo o Gato" será um dos temas do III Colóquio "O Património Cultural Imaterial de Machico", organizado pela ARCHAIS.&lt;br /&gt;É algo a que não estou habituada e confesso que quando me fizeram o convite hesitei em aceitar. Acabei por aceder, sobretudo por respeito para com os leitores fieis deste blog, mas também porque das trocas de impressões ficamos sempre mais ricos e porque conhecendo este trabalho talvez outras pessoas se enstusiasmem e passem a registar mesmo aquilo que parece insignificante mas faz parte da nossa cultura tradicional.&lt;br /&gt;Convido os leitores do "Rabo do Gato" a participarem. O colóquio engloba muitos outros temas e oradores e terá início às 9.00 no Fórum Machico.&lt;br /&gt;As inscrições são gratuitas mas devem ser feitas para o telefone 291964118, do Solar do Ribeirinho.&lt;br /&gt;Obrigada a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5045382101210528152?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5045382101210528152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5045382101210528152&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5045382101210528152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5045382101210528152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/05/o-rabo-do-gato-no-coloquio-o-patrimonio.html' title='&quot;O Rabo do Gato&quot; no Colóquio &quot;O Património Cultural Imaterial de Machico&quot;'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1232626234075676037</id><published>2010-05-10T19:00:00.001+01:00</published><updated>2010-05-10T19:00:00.180+01:00</updated><title type='text'>uma inficância!</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;- "Fizeram logo uma inficância!" Ora se fizeram, e não era para menos! Havia motivos mais do que suficientes para se sentirem entusiasmadas e assim o demonstraram, fazendo uma inficância.&lt;br /&gt;Conheço este termo desde criança e ainda há bem pouco tempo voltei a ouvi-lo no meu sítio. Fazer uma inficância é demonstrar grande entusiasmo perante algo. Mostrar-se contente, mostrar-se interessado, dar largas à sua satisfação.&lt;br /&gt;Curiosa, apostada em tentar desvendar a origem desta expressão, perguntei a algumas pessoas de outras zonas se a conheciam e até agora ninguém me respondeu afirmativamente.&lt;br /&gt;Talvez noutros locais a inficância tenha nome diferente, é o mais provável, ou talvez seja inficância também mas o termo esteja esquecido já. Não interessa.&lt;br /&gt;O que interessa verdadeiramente é que haja sempre motivos para "fazer uma inficância", o nome que se lhe dá é o que menos conta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1232626234075676037?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1232626234075676037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1232626234075676037&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1232626234075676037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1232626234075676037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/05/uma-inficancia.html' title='uma inficância!'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7558315266920265626</id><published>2010-04-30T14:02:00.000+01:00</published><updated>2010-05-02T19:44:00.057+01:00</updated><title type='text'>o mocinho da cesta</title><content type='html'>Contemplávamos, embevecidos, uma ninhada de patos. Por entre a euforia das crianças, por entre as conversas e os risos, a minha mãe apontou para um dos patinhos amarelos, de penugem leve, e disse: "Olha, o mocinho da cesta!"&lt;br /&gt;Segui-lhe o gesto e percebi logo. Um dos patinhos da ninhada era visivelmente mais pequeno e frágil do que todos os outros.&lt;br /&gt;Segundo a explicação da minha mãe, entre os muitos filhos das famílias de antigamente havia sempre um mais pequeno e desajeitado do que os outros, a quem chamavam o moço da cesta. Talvez por ser aquele que, não tendo tanta força para o trabalho, acabava ficando com a incumbência de fazer os recados e de levar o comer ao pai e aos irmãos, por exemplo.&lt;br /&gt;Ora, nada mais simples do que aplicar a um pequeno pato um dito originalmente usado para pessoas. Tal como ao contrário também não seria de espantar. Uma das muitas características interessantes do falar popular é precisamente esta elasticidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7558315266920265626?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7558315266920265626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7558315266920265626&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7558315266920265626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7558315266920265626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/04/o-mocinho-da-cesta.html' title='o mocinho da cesta'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1493884320480574378</id><published>2010-04-29T00:22:00.004+01:00</published><updated>2010-04-29T00:53:28.369+01:00</updated><title type='text'>o estrapagado</title><content type='html'>No meu sítio as pessoas chamam estrapagado ao patagarro, uma ave marinha que antigamente passava junto às casas durante a noite, sobretudo em algumas épocas do ano.&lt;br /&gt;A minha mãe conta que os estrapagados se ouviam em especial na altura em que as faveiras estavam em flor, e causavam logo o pânico no sítio.&lt;br /&gt;O estrapagado tinha o dom de anunciar a morte.&lt;br /&gt;Quando o ruído característico do estrapagado se ouvia numa qualquer noite sossegada, todos temiam o que estava para vir: "- Quem será que vai morrer?"&lt;br /&gt;A minha mãe lembra-se muito bem de  um estrapagado que certa noite pendeu a bater contra as janelas da enfermaria onde estava internada, na clínica ortopédica do Lazareto. No dia seguinte, sem nada o prever, sem mais nem menos, morreu uma senhora dessa enfermaria, por sinal aquela que mais se sentiu incomodada com a presença do bicho durante a noite.&lt;br /&gt;Que terá acontecido aos estrapagados? Eu nunca ouvi nenhum, não sei sequer reconhecer o seu canto na noite. Mas de vez em quando, quando chega a sua vez, as pessoas morrem na mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1493884320480574378?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1493884320480574378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1493884320480574378&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1493884320480574378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1493884320480574378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/04/o-estrapagado.html' title='o estrapagado'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6966512088571962670</id><published>2010-04-28T20:46:00.001+01:00</published><updated>2010-04-28T20:46:00.785+01:00</updated><title type='text'>da mesma brónica</title><content type='html'>- "Elas são mais ou menos da mesma brónica." Explicaram-me assim as semelhanças entre duas mulheres. Semelhanças físicas mas muito gerais, como a idade, a altura, o peso, nada de muito particular. &lt;br /&gt;Percebi a ideia mas não lhe consegui encontrar um sinónimo, uma única palavra que dissesse tudo isso. Este é um dos motivos pelo qual sobrevivem certas particularidades linguísticas,  porque têm utilidade. Devido à sua precisão, poupam palavras e mais explicações. São palavras económicas.&lt;br /&gt;Disseram-me: "Elas são da mesma brónica" e eu fiquei esclarecida, não precisei de perguntar mais nada, e a conversa seguiu o seu caminho.&lt;br /&gt;Nem sempre temos esta a capacidade de usar as palavras: usamo-las em demasia e querendo dizer muito dizemos muito pouco ou não dizemos nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6966512088571962670?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6966512088571962670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6966512088571962670&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6966512088571962670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6966512088571962670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/04/da-mesma-bronica.html' title='da mesma brónica'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7348773778721256221</id><published>2010-04-27T14:56:00.002+01:00</published><updated>2010-04-27T14:56:00.049+01:00</updated><title type='text'>...não azeda</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Desculpando-me com o imenso trabalho que me esperava em casa, preparava-me para me despedir de uns vizinhos da casa da infância que encontrara por acaso, e com quem ficara um pouco a conversar.&lt;br /&gt;O senhor exclamou, em tom paternal: "Ah, Não azeda!" A senhora, complementando a expressão do marido, disse: "Põe no frigorífico!"&lt;br /&gt;Foi tão engraçado que não resisto a colocar aqui as duas expressões, cada uma remetendo para uma época diferente.&lt;br /&gt;Lembro-me perfeitamente de não termos frigorífico em casa, e da atentação da minha mãe com a comida pois esta azedava facilmente, sobretudo nas épocas de mais calor. No Verão não valia a pena guardar nada de uma hora para a outra porque azedava.&lt;br /&gt;Ora, o trabalho de casa não azeda. Há tanta coisa que pode ser deixada para mais tarde, simplesmente porque há coisas mais importantes. No caso em questão, que poderia ser mais importante do que aquela agradável troca de palavras com quem não falava há muito?&lt;br /&gt;O senhor lembrou-se do dito antigo e a senhora acrescentou-lhe um toque de actualidade: "Põe no frigorífico!"&lt;br /&gt;Que Deus nos dê a todos a sabedoria de perceber o que não azeda e o que pode ser colocado no frigorífico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7348773778721256221?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7348773778721256221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7348773778721256221&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7348773778721256221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7348773778721256221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/04/nao-azeda.html' title='...não azeda'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5873465511527119094</id><published>2010-04-26T17:00:00.001+01:00</published><updated>2010-04-26T19:17:49.152+01:00</updated><title type='text'>dar doces</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Ouço sem querer uma conversa que acontece ao meu lado. Depois de enumerar uma série de exigências feitas pela pessoa de quem falavam, uma das mulheres exclama, rematando a descrição: - "Mas eu não lhe dei doces!"&lt;br /&gt;O incómodo que sentia por estar a ouvir uma conversa alheia sem querer, dissipou-se com este achado inesperado. Ao tempo que eu não ouvia a expressão "dar doces"! E que bom foi ouvi-la assim, usada no contexto de uma conversa do dia-a-dia, viva.&lt;br /&gt;Recordava-me mais da expressão na afirmativa, tornando-se a ironia perceptível através da entoação dada à frase. "Eu vou te dar doces"  significa na verdade "eu não vou te aturar, não vou fazer as tuas vontades" e julgo ser equivalente à expressão "eu vou te dar troco!" já referenciada neste blogue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5873465511527119094?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5873465511527119094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5873465511527119094&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5873465511527119094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5873465511527119094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/04/dar-doces.html' title='dar doces'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3932886546009108315</id><published>2010-04-21T01:00:00.004+01:00</published><updated>2010-04-26T19:53:32.949+01:00</updated><title type='text'>amar e padecer</title><content type='html'>A conversa nada tinha a ver com amores. O assunto era política internacional e falava-se de alguém que enfrentava duras críticas, pouco tempo depois de ter assumido um importante cargo.&lt;br /&gt; "Quem se põe a amar, põe-se a padecer." A sentença assentou que nem uma luva e aligeirou a conversa. Muito bem visto.&lt;br /&gt;Quem ocupa um cargo de poder está sujeito a inúmeras e inevitáveis criticas, tal como quem ama está sujeito ao sofrimento.&lt;br /&gt;São consequências previsíveis e que ninguém desconhece. Cartas na mesa. Nada na manga. Claro como água. No entanto, quase todos aspiram ao poder e todos sonham com o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3932886546009108315?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3932886546009108315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3932886546009108315&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3932886546009108315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3932886546009108315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/04/amar-e-padecer.html' title='amar e padecer'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1706744828601453998</id><published>2010-03-24T14:38:00.000Z</published><updated>2010-03-24T16:32:50.167Z</updated><title type='text'>uma semana à espera do sarampo</title><content type='html'>O sarampo atacou a casa dos meus avós e deixou quase toda a gente de cama. Quase. Enquanto os irmãos agonizavam com a febre e o mal-estar causado pela doença, o meu tio José Manuel continuava sem qualquer sintoma.&lt;br /&gt;Acreditando que mais tarde ou mais cedo o sarampo havia de lhe pegar, o meu tio passou uma semana à espera da doença, alimentando a esperança de tomar leite de vaca como os outros. O leite de vaca, comprado ao leiteito que passava todos os dias de manhã pelas casas com as folhas e as medidas enfiadas num cajado, era um verdadeiro luxo, só permitido quando uma pessoa estava fragilizada por uma qualquer doença e precisava de cuidados suplementares na alimentação.&lt;br /&gt;Os meus avós tinham uma cabra de leite, mas também tinham uma casa de gente, dez pessoas no total, o leite da cabra não chegava para todos e além do mais havia alturas em que a cabra não dava leite ou dava muito pouco.&lt;br /&gt;Demasiado atento a qualquer sinal que pudesse indiciar a chegada do sarampo, o meu tio sentiu um dia uns ligeiros tremores de frio. Não fez mais nada: meteu-se na cama, satisfeito, e foi daí, de entre os lençóis e as mantas, que gritou para o leiteiro, quando o sentiu passar no terreiro, que deixasse mais um litro de leite.&lt;br /&gt;Mas às vezes as pessoas têm azar e a verdade é que os tais tremores foram um falso alarme e o meu tio José Manuel nunca chegou a ter o sarampo nem pôde, pelo menos nessa altura, beber o precioso leite de vaca vendido pleo leiteiro de porta em porta. &lt;br /&gt;Claro que esta história nunca foi esquecida. Durante muito tempo os meus outros tios e tias, e até os vizinhos, gozaram com o meu tio José Manuel graças a ela. E claro que a história passou a ser lembrada sempre que alguém se põe à espera de algo que muito provavlemente não vai acontecer, e espera por ela com tanto afinco como o do meu tio José Manuel, na sua longa espera de uma semana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1706744828601453998?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1706744828601453998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1706744828601453998&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1706744828601453998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1706744828601453998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/uma-semana-espera-do-sarampo.html' title='uma semana à espera do sarampo'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1385207963878963229</id><published>2010-03-21T23:00:00.002Z</published><updated>2010-03-22T20:31:35.699Z</updated><title type='text'>lagarto pintado</title><content type='html'>"-Lagarto pintado, quem te pintou..."  Sinto saudades de ensinar este jogo a uma criança. As saudades bateram à porta de repente e sem explicação e fazem-me recuar a várias infâncias:&lt;br /&gt;primeiro à minha, depois à da minha filha, depois à dos meus sobrinhos.&lt;br /&gt;"Assim, segura com cuidado as minhas orelhas, estás a ver? assim como eu seguro as tuas." Sinto as mãos pequeninas segurando as minhas orelhas, um pouco trémulas da excitação provocada pela nova brincadeira.&lt;br /&gt;É difícil começarmos o jogo porque nos rimos e de repente já não temos as mãos nas orelhas, no sítio certo para puxar quando for a altura certa. Agora. Os corpos balançam lentamente, ao ritmo da melodia, para trás e para a frente, enquanto os braços se encontram ao meio, cada uma agarrando as orelhas da outra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lagarto pintado&lt;br /&gt;quem te pintou&lt;br /&gt;foi uma velha&lt;br /&gt;que por aqui passou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tempo da eira&lt;br /&gt;faz poeira&lt;br /&gt;puxa lagarto&lt;br /&gt;por esta orelha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxa, agora! Mas sem magoar. Mais. Puxa lagarto por esta orelha!&lt;br /&gt; "- Mais uma vez, mais uma vez, vá lá." E eu cedo, depois de fingir que não, depois de dizer que já chega da brincadeira; cedo e ela volta a encaixar-se no meu colo, virada para mim, com as pernas para trás das minhas costas, em posição de puxar pelas orelhas. Rimos. Acertamos outra vez as mãos nas orelhas, sincronizadas e lá vamos: "Lagarto pintado, quem te pintou?..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1385207963878963229?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1385207963878963229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1385207963878963229&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1385207963878963229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1385207963878963229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/lagarto-pintado.html' title='lagarto pintado'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6902077079887158636</id><published>2010-03-15T10:40:00.001Z</published><updated>2010-03-15T10:40:00.342Z</updated><title type='text'>Cura de Aranha ou Bicho</title><content type='html'>Entre as muitas curas de que as pessoas se socorriam para resolver os seus males existia a Cura de Aranha ou Bicho. Como no caso das outras, esta reza tem de ser repetida nove vezes, e deve ser feita sobre a pessoa que sofre do mal. Tem, no entanto, uma particularidade: durante a reza, a curandeira deve segurar num galho de pessegueiro de pêssegos (e não pessegueiro de cheiro), que vai cortando, enquanto recita os antigos dizeres.&lt;br /&gt;As pessoas recorriam à cura de aranha, quando lhes surgiam erupções cutâneas de que não sabiam a origem, havendo a possibilidade de se tratar de mordidas de aranha ou de outro bicho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nas horas de Deus e da Virgem Maria eu te curo de aranha, aranhão, safanhão, cancro ou de lapa, impinja carnal, impinja rabija e rabisca patarisca e toda a qualidade de bicho que tu és, eu te corto: os teus raios, as tuas veias, as tuas linhas, as tuas unhas, os teus dentes, os teus parentes, os teus netos, os teus bernetos, a tua cabeça, os teus pés, o teu bofe, o teu fígado, o teu coração e toda a tua geração e tu não cresças nem permaneças mais no teu corpo, (diz-se aqui o nome da pessoa que está a ser curada)."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informador: José Isidro da Silva Nóbrega&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6902077079887158636?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6902077079887158636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6902077079887158636&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6902077079887158636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6902077079887158636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/cura-de-aranha-ou-bicho.html' title='Cura de Aranha ou Bicho'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1163965623565003771</id><published>2010-03-14T14:21:00.000Z</published><updated>2010-03-14T19:37:46.765Z</updated><title type='text'>a saia de fora</title><content type='html'>Nenhuma mulher se atrevia a sair à rua sem saia. A saia era uma peça de roupa obrigatória e vestia-se por dentro do vestido. O nome fino era combinação, mas no meu sítio não se usava o nome fino. Dizia-se saia e para a diferenciar da saia que se vestia por fora, chamava-se a esta última saia-de-vestido.&lt;br /&gt;A saia de dentro devia ficar totalmente escondida pelo vestido ou pela saia-de-vestido, mas acontecia por vezes que uma ponta, normalmente de renda, sobrava na roda do vestido e ficava à vista de toda a gente. Dizia-se então que o marido, noivo ou namorado dessa mulher namorava outra.&lt;br /&gt;Assim sendo, era preocupação de todas as mulheres que a saia ou combinação ficasse sempre mais curta, que esta nunca espreitasse pela beira do vestido. Elas olhavam por cima do ombro, pediam por vezes às irmãs ou amigas que confirmassem se estava tudo como deve ser. Claro que não era só pela superstição, era também porque a saia de fora do vestido dava a impressão de se tratar de uma pessoa mal arranjada.&lt;br /&gt;As saias - combinações segundo o nome fino - foram abolidas definitivamente do guarda-roupa feminino há muitos anos e não me deixam grande pena. Nem sequer pelo seu poder de adivinhar uma traição, ao se tornarem visíveis por debaixo do vestido ou da saia-de-vestido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1163965623565003771?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1163965623565003771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1163965623565003771&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1163965623565003771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1163965623565003771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/saia-de-fora.html' title='a saia de fora'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-6405263164478117792</id><published>2010-03-12T11:32:00.002Z</published><updated>2010-03-12T11:32:00.562Z</updated><title type='text'>cair em graça ou ser engraçado?</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;- "Mais vale cair em graça do que ser engraçado". Desta vez eu própria atirei com a sentença aprendida na infância. E, surpreendentemente, a pessoa a quem disse o velho ditado não o conhecia. De maneira que fiquei com a dupla satisfação de utilizar uma expressão popular e de a ensinar a alguém.&lt;br /&gt;Cair em graça é daquelas coisas que valem mais do que ouro. Cair em graça nada tem a ver com o facto de ser ou não ser engraçado, é algo que simplesmente acontece e normalmente beneficia alguém sem que as razões sejam muito claras para os outros. Cair em graça é um dos mistérios que sempre existirão quando em causa está o relacionamento entre as pessoas.&lt;br /&gt;Há quem tenha jeito para cair em graça, e há quem não tenha jeito nenhum. Eu diria que cair em graça é uma espécie de segunda sorte. Uns caem, outros não caem e nesse equilíbrio de forças vai girando o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-6405263164478117792?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/6405263164478117792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=6405263164478117792&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6405263164478117792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/6405263164478117792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/cair-em-graca-ou-ser-engracado.html' title='cair em graça ou ser engraçado?'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4021360767541787793</id><published>2010-03-11T03:40:00.006Z</published><updated>2010-03-11T03:40:00.420Z</updated><title type='text'>a capruça do velho</title><content type='html'>"- Credo, Cruzes, Abrenunça&lt;br /&gt;Olha um velho sem capruça"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rima é uma dos aspectos mais importantes da nossa tradição oral e esta espécie de lengalenga que guardo da infância é uma prova de que à rima tudo se pode sacrificar.&lt;br /&gt;"Credo, Cruzes Abrenuncia" é uma expressão usada para repelir o mal, para afastar o diabo. Aprendi a acrescentar-lhe mais um verso: "Olha um velho sem capruça." Qualquer expressão servia de pretexto para mais uma pequena lengalenga.&lt;br /&gt;Roubou-se um "i" a "Abrenuncia" , que passou a rimar com capruça, uma forma deturpada de dizer carapuça. &lt;br /&gt;Tenho a ideia de sempre ter ouvido dizerem capruça, e nunca a forma correcta da palavra: Carapuça. A troca de letras ou de sílabas é um fenómeno muito comum no falar popular. Há poucos dias, por exemplo, voltei a ouvir carmuça em vez de camurça. Carmuça é a forma popular de dizer camurça. A troca de lugar de uma simples letra torna a palavra mais fácil de dizer, disso não há qualquer dúvida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4021360767541787793?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4021360767541787793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4021360767541787793&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4021360767541787793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4021360767541787793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/capruca-do-velho.html' title='a capruça do velho'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7324118426433956828</id><published>2010-03-10T14:42:00.003Z</published><updated>2010-03-10T14:42:00.035Z</updated><title type='text'>carotos ou caragas?</title><content type='html'>O poço ainda lá está, junto à vereda, mas há muito que não tem água. Sempre que passo junto ao poço do Ti'Lexandre sinto imensas saudades do coaxar dos carotos. Devia haver carotos em todos os poços, mas por um dos inexplicáveis mistérios de que são tecidas as memórias de cada um, é áquele poço que associo o característico coaxar, capaz de transmitir a qualquer paisagem uma serenidade quase sobrenatural.&lt;br /&gt;No meu Sítio as rãs chamam-se carotos, nunca lhes conheci outro nome. A palavra rã, aprendida no livro da primeira classe numa qualquer lição, soou-me à coisa mais estrambólica do mundo. Porque raio haviam de chamar rãs aos carotos? Não tinha jeito nenhum, pensava eu com os meus botões no caminho de regresso da escola.&lt;br /&gt;A palavra continuou a fazer parte dos livros, mais uma curiosidade das muitas que povoavam o mundo em descoberta. A ameaça revelou-se passageira porque em casa todos continuavam a dizer carotos, graças a Deus.&lt;br /&gt;Há poucos anos, fiquei a saber que no centro do Caniço se chamam caragas às rãs. Fiquei tão surpreendida como a pessoa que me revelou esse facto, com a existência de dois nomes diferentes, com géneros diferentes, dentro da mesma freguesia, a uma distância de poucos quilómetros.&lt;br /&gt;É um facto: na parte norte do Caniço, no Sítio da Ribeira dos Pretetes, as rãs são carotos. Nas partes mais baixas da freguesia, as rãs são caragas. Desconheço a origem de uma e de outra palavra e não tenho qualquer tipo de justificação para a diferença. Deixo-me apenas deslumbrar por esta riqueza linguística e sinto que todos os dias este trabalho que iniciei há quase seis anos ganha um novo sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7324118426433956828?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7324118426433956828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7324118426433956828&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7324118426433956828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7324118426433956828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/carotos-ou-caragas.html' title='carotos ou caragas?'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7213582469908910744</id><published>2010-03-09T13:02:00.001Z</published><updated>2010-03-09T14:34:41.411Z</updated><title type='text'>um pezinho de fora da algibeira</title><content type='html'>Foi a Ti Refininha dos Moinhos que ajudou a trazer ao mundo quase todos os dez filhos da minha avó materna. Digo quase todos porque no início parece que a parteira foi uma tal de Ti Carlota, que depois passou à história.&lt;br /&gt;Ora, aos mais pequenos dizia-se que era a Ti Refininha (diminutivo de Rufina, pronunciado com um "e" no lugar do "u") quem trazia os bebés dentro da algibeira e disso estavam convenciadas todas as crianças. A Ti Refininha era a cegonha desses tempos!&lt;br /&gt;Um dia, a Maria Lurdes da prima Ali encontrou-a algures no caminho e quando chegou a casa anunciou: "- Encontrei a Ti Refininha, que ia entregar um bebé. Eu vi um pezinho de fora de algibeira. " Acharam todos muita graça e nunca mais se esqueceram da história.&lt;br /&gt;Passando de boca em boca no Sítio, a história do pezinho de fora da algibeira acabou por adquirir um estatuto de ditado, adequado à situação em que as pessoas julgam ter visto algo que na verdade não viram.&lt;br /&gt;Foi assim que o ditado e a história vieram à baila, quando recentemente se comentava num serão familiar os muitos boatos que surgiram logo após o temporal. Eu dizia que muitas pessoas falavam de factos que não se conseguiam comprovar, com base em algo que tinham  ouvido dizer a alguém que por também tinha ouvido de alguém. Teria alguém realmente visto?&lt;br /&gt;De um canto da mesa, quebrando um súbito silêncio, a minha mãe contou a história da Maria Lurdes da Prima Ali e do pezinho que jurara ver de fora da algibeira da Ti Refininha. Uma história deliciosa, que vem enriquecer este blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7213582469908910744?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7213582469908910744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7213582469908910744&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7213582469908910744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7213582469908910744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/um-pezinho-de-fora-da-algibeira.html' title='um pezinho de fora da algibeira'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8904800935778705784</id><published>2010-03-08T00:34:00.003Z</published><updated>2010-03-08T00:47:08.103Z</updated><title type='text'>mal empregado</title><content type='html'>Este é o exemplo de uma expressão que pode ter dois sentidos totalmente diferentes, dependendo da intenção com que é dita. O sentido torna-se claro se tivermos atenção ao contexto e sobretudo à entoação da voz.&lt;br /&gt;Num primeiro sentido, mal-empregado é um lamento por algo que não deveria ser dessa maneira. Recordo uma quadra em que se percebe bem a utilização de "mal-empregado" com esta intenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Manuel da vizinha&lt;br /&gt;embarca segunda-feira&lt;br /&gt;mal-empregado rapaz&lt;br /&gt;ir da ilha da Madeira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num segundo sentido, mal empregado é uma expressão usada para demonstrar vingança. Algo não correu muito bem a determinada pessoa e alguém, contente com o infortúnio alheio, exclama: "Mal empregado".  É outra forma de dizer que é muito bem feito, que não sente pena nenhuma pelo sucedido, que a pessoa merecia essa e quem sabe outras chatices. Naturalmente o tom de voz denuncia esse sentimento negativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto mais do primeiro exemplo da expressão "mal-empregado", mas a outra também existe e não posso fazer de conta que não. Afinal, toda a nossa vida está cheia de dualidades, de situações e de sentimentos ambíguos, de imensas contradições.  Mal empregado!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8904800935778705784?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8904800935778705784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8904800935778705784&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8904800935778705784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8904800935778705784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/mal-empregado.html' title='mal empregado'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1250354105227699578</id><published>2010-03-05T22:08:00.003Z</published><updated>2010-03-05T22:08:00.113Z</updated><title type='text'>comer o morgado</title><content type='html'>"Quem come o morgado é afortunado". Recordo esta antiga superstição que julgo ter caído definitivamente no esquecimento.&lt;br /&gt;Chamava-se "morgado" ao primeiro ovo posto por uma galinha e acreditava-se que a sorte bafejaria a pessoa que o comesse. Como se sabe, o morgado era o filho mais velho, o primogénito (e em muitos casos único herdeiro da fortuna da família) e julgo que fica clara a intenção ao utilizar a mesma palavra para designar o primeiro ovo de um galinha.&lt;br /&gt;No tempo dos meus avós, em que todas as famílias tinham um galinheiro junto à casa e acompanhavam diariamente a vida das galinhas, dos galos e dos bisalhos, era bem possível socorrer-se deste estratagema para chamar a sorte.&lt;br /&gt;Hoje os ovos compram-se no supermercado, ninguém sabe onde pára o morgado. Perdeu-se, por culpa o progresso, uma antiga crença. Mas o pior é ter-se perdido de vez um potenciador da sorte, afinal a sorte nunca é demais e todos precisamos dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1250354105227699578?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1250354105227699578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1250354105227699578&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1250354105227699578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1250354105227699578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/comer-o-morgado.html' title='comer o morgado'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3130591790776653790</id><published>2010-03-04T22:00:00.001Z</published><updated>2010-03-04T22:01:20.624Z</updated><title type='text'>mal empregado tempo</title><content type='html'>"Chuva rega, vento seca&lt;br /&gt;mais vale chuva que vento&lt;br /&gt;Ah tempo mal empregado&lt;br /&gt;Ah mal empregado tempo"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quadra recolhida no Sítio da Ribeira dos Pretetes, Caniço, no dia 2 de Abril de 1986.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3130591790776653790?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3130591790776653790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3130591790776653790&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3130591790776653790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3130591790776653790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/mal-empregado-tempo.html' title='mal empregado tempo'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3844724591513051590</id><published>2010-03-03T01:39:00.000Z</published><updated>2010-03-04T21:59:47.931Z</updated><title type='text'>outorgar</title><content type='html'>Em mais uma conversa feita de memórias, as duas irmãs recordavam uma personagem que tivera um papel importante na sua adolescência e juventude. A irmã mais velha, acabada de chegar da Venezuela em mais uma de muitas viagens para matar saudades, não hesitou no elogio:&lt;br /&gt;- "Ela outorgava muito a gente."&lt;br /&gt;Há muito tempo que não ouvia a palavra outorgar usada desta forma. Este "outorgar" significa dar ouvidos, dar atenção. Esta memória tão bem guardada comprova a importância de ouvir os outros, de ter disponibilidade para as pessoas. Sei pouco dessa mulher a quem se referiam na conversa, mas sei que outorgava as raparigas e elas, agora com mais de 70 anos, não o esqueceram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3844724591513051590?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3844724591513051590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3844724591513051590&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3844724591513051590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3844724591513051590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/outorgar.html' title='outorgar'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-164652098222512299</id><published>2010-03-02T12:36:00.001Z</published><updated>2010-03-04T01:39:17.642Z</updated><title type='text'>a retrete do cose-botas</title><content type='html'>Era uma vez um homem que cosia botas, algures nas Fontes. Não era sapateiro, não senhor, apenas sabia coser botas e tinha bastantes clientes, então não! O calçado era algo precioso e muito bem aproveitado: descosia-se, mandava-se coser e não tinha mais conversa. Chamavam-lhe o Cose-Botas, o nome verdadeiro não interessa para nada. Ora, o Cose-Botas ficou na história de que são feitos os ditos da minha terra graças à sua retrete ou casinha, que era o que se chamava às casas de banho de antigamente.&lt;br /&gt;A retrete do Cose-Botas era ao estilo da que existia em casa dos meus avós: uma casinhota de madeira do mais simples, com duas tábuas no chão, onde as pessoas se equilibravam, meio levantadas, meio agachadas, para fazerem as suas necessidades. Estas mantinham-se ali em baixo, até  serem lavadas de vez em quando. Não sei se devido ao muito trabalho que dava cozer as botas do sítio, se apenas por malandrice ou descuido, esse era um hábito que o homem parecia não ter. A casinha ficava ao pé da vereda estreita e chamava a atenção de quem passava o facto de estar tão cheia, a chegar acima, tão cheia que metia dó, para não dizer outra coisa.&lt;br /&gt;As pequenas de cá de cima repararam naquilo quando foram levar botas a cozer e é claro que transformaram o caso num motivo de conversa e daí a nascer um novo ditado, ainda hoje em uso, foi um pequeno passo. Sempre que viam alguma coisa demasiado cheia, diziam: - "Olha, parece a retrete do Cose-Botas." E levavam a expressão a um tal extremo que até de um prato de comida demasiado cheio diziam que parecia a retrete do Cose-Botas, imagine-se!&lt;br /&gt;Este homem que não cheguei a conhecer coseu botas algures nas Fontes mais ou menos há uns sessenta anos e não sei mais nada dele. Sei apenas que qualquer coisa que se apresente demasiado cheia parece a retrete do Cose-Botas. A expressão continua a ser usada na zona do Pomar, também conhecida por Achada do Capitão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-164652098222512299?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/164652098222512299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=164652098222512299&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/164652098222512299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/164652098222512299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/03/retrete-do-cose-botas.html' title='a retrete do cose-botas'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1808489175025076849</id><published>2010-02-20T13:47:00.001Z</published><updated>2010-03-04T22:01:59.545Z</updated><title type='text'>uma pena no peito</title><content type='html'>Tenh'uma pena no peito&lt;br /&gt;Não é pena de galinha&lt;br /&gt;Dá-lhe o vento não avoa&lt;br /&gt;Não há pena quem'a minha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenh'uma pena no peito&lt;br /&gt;Não é pena de pavão&lt;br /&gt;Dá-lhe o vento não avoa&lt;br /&gt;Dá-lhe a chuva não cai ao chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quadras de um fado, recolhidas no Sítio da Ribeira dos Pretetes, Caniço, em 1989&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1808489175025076849?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1808489175025076849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1808489175025076849&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1808489175025076849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1808489175025076849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/02/uma-pena-no-peito.html' title='uma pena no peito'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7474335333970715910</id><published>2010-02-06T23:47:00.010Z</published><updated>2010-02-07T00:13:02.514Z</updated><title type='text'>o levadeiro</title><content type='html'>- "E quem é que vai ser o levadeiro?"&lt;br /&gt;Os homens apinhavam-se à volta do porco, acabado de trazer o chiqueiro à força. O marchante disse que deixassem o animal descansar um bocado, e essa breve pausa na função da morte do porco, foi logo aproveitada para uma primeira rodada de vinho seco.&lt;br /&gt;- "E quem é que vai ser o levadeiro?"&lt;br /&gt;Um deles adiantou-se, pegou no garrafão e no copo e começou a distribuição. Estava eleito o levadeiro do dia, aquele a quem caberia de vez em quando medir rodadas de vinho, e servi-las a todos os homens convidados para ajudarem na morte do porco num dia já tão afastado da tradição das vésperas da Festa.&lt;br /&gt;Este levadeiro tem a responsabilidade de assegurar que nenhum dos presentes fica de goelas secas muito tempo, é um cargo importante e imprescindível uma "morte do porco", tal como antigamente eram imprescindíveis os outros levadeiros, os que trabalhavam dia e noite nas levadas de verdade, zelando para que a distribuição se fazia de forma correcta e às horas marcadas.&lt;br /&gt;Como existiam horas de rega nocturnas, tinha de ser, o levadeiro permanecia junto ao entalhador da levada e à hora exacta tapava a água para o sítio correcto. Contam-me que tocava numa corneta, para alertar os regantes de que estava na hora de irem buscar a sua parte da água.&lt;br /&gt;O levadeiro tinha a responsabilidade de cumprir à risca a divisão da água, numa altura em que esta era essencial para assegurar o sucesso das colheitas e, logo, a subsistência de praticamente todas as famílias nas zonas rurais.&lt;br /&gt;O outro levadeiro, o cargo que hoje fiquei a conhecer por estar numa "morte do porco", tem tambem um caro de responsabilidade. Se não houvesse vinho seco, distribuído de vez em quando, num tempo quase cronometrado, não muito perto e não muito distante da vez anterior, pelo "levadeiro", teriam conseguido reunir oito homens para ajudar na morte do porco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7474335333970715910?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7474335333970715910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7474335333970715910&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7474335333970715910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7474335333970715910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/02/o-levadeiro.html' title='o levadeiro'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1338979483155082460</id><published>2010-01-31T18:20:00.010Z</published><updated>2010-01-31T23:13:38.677Z</updated><title type='text'>o filho do ferreiro</title><content type='html'>"Quando está nevoeiro não há neve". A sentença sábia foi proferida logo no início da subida mas apesar do nevoeiro continuei o caminho em direcção ao Areeiro. "É melhor voltarmos para trás, a estrada é perigosa com este nevoeiro." Mas eu fui me aventurando um pouco mais na subida até à serra. &lt;br /&gt;- "Isto é como a história do filho do ferreiro".&lt;br /&gt;Enquanto eu me aventurava devagar por entre o nevoeiro, fiquei a saber que nessa história antiga de que a minha mãe não se lembra senão uma pequena parte, havia várias pessoas que tentavam descer num buraco, mas ninguém conseguia porque iam aparecendo muitas coisas estranhas e assustadoras. Desciam num cesto equipado com uma campainha, que tocavam para que os puxassem para cima. Até que o filho do ferreiro decidiu resolver o assunto e disse: "Quanto mais eu tocar à campainha, mais vocês me empurram para baixo."&lt;br /&gt;E assim foi: ele tocava, tocava porque queria que o puxassem para cima, tocava porque não aguentava mas eles cumpriam as ordens e davam mais folga à corda para que ele descesse ainda mais.&lt;br /&gt;Cruzamo-nos com um carro em sentido contrário, já na descida do Areeiro e a minha mãe exclama: "Olha, outros filhos do ferreiro".&lt;br /&gt;Acabei por inverter a marcha mas continuámos a falar do famoso filho do ferreiro. "É uma história tonta. Ele chega a um lugar que tem feiticeiras, depois acho que chega a outro onde está o diabo." Parece que nesse lugar todos eram obrigados a beijar o cu ao diabo e aí se desenvolveram as muitas aventuras do filho do ferreiro.&lt;br /&gt;A história perdeu-se mas a metáfora continua a ser usada na perfeição, para situações adversas em que as pessoas insistem em continuar caminho, numa teimosia digna do herói do conto popular.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1338979483155082460?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1338979483155082460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1338979483155082460&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1338979483155082460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1338979483155082460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/01/o-filho-do-ferreiro.html' title='o filho do ferreiro'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8325158004331174131</id><published>2010-01-20T10:50:00.000Z</published><updated>2010-01-20T11:15:32.796Z</updated><title type='text'>caçoar ou fazer caçoada</title><content type='html'>- "Este senhor está sempre fazendo caçoada". A mulher apontou para o homem ao lado, que não perdia uma portunidade de dizer uma piada, mesmo numa situação desagradável. Reclamava e dizia de sua justiça, mas não perdia o humor.&lt;br /&gt;Tudo o que o senhor dizia tinha graça e as pessoas à volta acabavam por esboçar sorrisos, embora estivessem aborrecidas com o que estava a acontecer.&lt;br /&gt;Há pessoas com este dom, graças a Deus! As pessoas que fazem caçoada conseguem passar melhor pelo mundo. Caçoam e tudo se torna mais leve, viver torna-se quase fácil.&lt;br /&gt;Adoro a expressão "fazer caçoada"ou "caçoar", sobretudo por aquilo que ela representa: a arte suprema de brincar com as situações, mesmo as menos boas. Tenho a sorte de lidar diariamente com pessoas que dominam esta qualidade e considero-me uma sortuda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8325158004331174131?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8325158004331174131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8325158004331174131&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8325158004331174131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8325158004331174131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/01/cacoar-ou-fazer-cacoada.html' title='caçoar ou fazer caçoada'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4957698037579793081</id><published>2010-01-18T00:40:00.001Z</published><updated>2010-01-18T00:36:12.261Z</updated><title type='text'>daqui à cidade</title><content type='html'>Quando antes se dizia "daqui à cidade" era para nos referirmos a algo extenso. E fazia sentido. Afinal, era muito complicado chegar à cidade e isso só acontecia em ocasiões muito particulares. "Daqui à cidade" substituía na perfeição os adjectivos longo, extenso, comprido, e podia ser aplicado às mais variadas situações, até como metáfora de bilhardice: "- Ela tem uma língua daqui à cidade".&lt;br /&gt;Ainda há pouco tempo utilizei a expressão aprendida na infância porque ela continua a significar o mesmo embora "a cidade" esteja hoje tão perto, tão acessível. E apesar de hoje existirem muitas outras cidades, incluindo o Caniço. A realidade é totalmente diferente mas a expressão "daqui à cidade" continua a ser sinónima de longo, extenso, comprido. Isto acontece porque as expressões ganham autonomia, tornam-se independentes, crescem, adquirem a sua própria história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4957698037579793081?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4957698037579793081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4957698037579793081&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4957698037579793081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4957698037579793081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2008/10/daqui-cidade.html' title='daqui à cidade'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4461224520962057302</id><published>2010-01-17T13:05:00.006Z</published><updated>2010-01-17T19:54:45.036Z</updated><title type='text'>um gato em cima da barriga</title><content type='html'>"- Olha, põe-lhe um gato em cima."&lt;br /&gt;Era esta a resposta certa quando antigamente alguém se queixava de dores de barriga. Não havia medicamentos disponíveis para tudo e mais alguma coisa. Em casa dos meus avós não havia medicamento nenhum para eventualidades como essa.&lt;br /&gt;Quando uma das minhas tias se queixava de uma dor de barriga, a minha avó dizia que "era uma dor de frio" e mandava-as colocar uma coisa quente em cima da barriga. Podia ser um barrete de orelhas ou outra coisa de lã bem quente.&lt;br /&gt;Talvez a história do gato tenha surgido por ser um animal quentinho, alguém pode ter começado por dizer para colocar um gato na brincadeira. Ou será que alguém terá realmente alguma vez colocado um gato em cima da barriga para tentar curar "uma dor de frio"?&lt;br /&gt;E quantas dores ajudará um gato a curar? Veremos. Em breve terei um gato em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4461224520962057302?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4461224520962057302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4461224520962057302&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4461224520962057302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4461224520962057302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/01/um-gato-em-cima-da-barriga.html' title='um gato em cima da barriga'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7763798250875128181</id><published>2010-01-09T11:41:00.011Z</published><updated>2010-01-11T01:30:27.554Z</updated><title type='text'>ir à missa com o que se tem</title><content type='html'>- "Sabe, isto cada um vai à missa com o que tem."&lt;br /&gt;Claro que não falávamos de ir à missa. Numa breve e rotineira entrevista, o meu interlocutor tentava clarificar uma situação qualquer e de repente usou esta expressão.&lt;br /&gt;Ir à missa é sinónimo de se mostrar, de aparecer perante os outros. Antigamente mais, mas ainda hoje nos sítios pequenos, é na ida à missa que as pessoas se vêem, que ficam sabendo do estado de saúde dos outros, dos relacionamentos, das roupas novas, de todas as bilhardices da comunidade.&lt;br /&gt;É na ida à missa que as pessoas mais ficam expostas aos olhos dos outros.&lt;br /&gt;Antigamente os meus tios iam  a missas diferentes para poderem usar todos o mesmo casaco, já que era o único. Encontravam-se pelo caminho e passavam o casaco de um para o outro. E como eles tinham idades e tamanhos diferentes mas o casaco era o mesmo, nuns o casaco ficava grande, noutros pequeno. Mas era o que havia.&lt;br /&gt;- "Sabe, isto cada um vai à missa com o que tem." Ou seja: cada um mostra aquilo que tem e é assim que deve ser. Quem tenta mostrar mais do que realmente é ou tem, não o consegue fazer para sempre. E para quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7763798250875128181?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7763798250875128181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7763798250875128181&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7763798250875128181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7763798250875128181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/01/ir-missa-com-o-que-se-temir.html' title='ir à missa com o que se tem'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3733511355927009864</id><published>2010-01-01T11:40:00.008Z</published><updated>2010-01-03T21:17:14.473Z</updated><title type='text'>dar os amãs</title><content type='html'>- "Ela não fez bem mas tu já 'tás lhe dando os amãs. Dás-lhe sempre os amãs." Não sei se a acusação tinha razão de ser. No caso em concreto, não posso avaliar se havia demasiada condescendência de um lado ou demasiada intolerância do outro.&lt;br /&gt;Mas posso dizer que conheço bem a expressão "dar os amãs" e que sempre a associei à palavra "mão", como se ao defender alguém a pessoa estivesse a dar-lhe a mão. Sempre achei que havia esta relação mas talvez estivesse errada e a verdadeira relação  seja com a palavra "amen", pois ao defender uma pessoa estamos afinal a concordar com ela ou com a sua atitude.&lt;br /&gt;Qualquer uma destas possibilidades é especulação minha, gosto deste jogo de inventar uma história para cada palavra, todas as palavras têm a importância suficiente para merecerem a sua própria história, pensava e repensada e, porque não, colocada neste blog à vista ede toda a gente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3733511355927009864?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3733511355927009864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3733511355927009864&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3733511355927009864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3733511355927009864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2010/01/dar-os-amas.html' title='dar os amãs'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-7784887332597881461</id><published>2009-12-23T12:27:00.002Z</published><updated>2009-12-23T13:06:04.519Z</updated><title type='text'>o mija na erva</title><content type='html'>À volta da mesa ouviu-se um suspiro de alívio. Não houve "rapa" na bisca de seis graças ao terno. A carta com menos valor salvou o jogo e eu fiquei a saber qual o nome popularmente atribuído ao terno do naipe que calhou à mesa.&lt;br /&gt;- "Se não fosse o mija na erva... apanhava-se rapa". O "mija na erva", sim senhor. Nunca tinha ouvido tal coisa mas também é verdade que só raramente jogo à bisca. Só em ocasiões festivas como naquele dia, em que há pessoas suficientes para uma bisca de seis, às vezes para revezar alguém ou simplesmente para completar o painel de jogadores.&lt;br /&gt;Deduzo que "mija na erva" seja sinal de pobreza, de pouco valor. Daí o nome ser atribuído à carta que menos poder tem. Mas como não regra sem excepção, lá vem o dia em que o pobrezinho tem a sorte de pode mostrar que vale alguma coisa.&lt;br /&gt;Vamos jogar uma bisca de seis durante a tarde do dia de Festa, isso é garantido, porque há tradições que têm de ser cumpridas Desta vez, posso me gabar de saber um pouco mais desse típico jogo de cartas. Sei que o terno é o "mija na erva".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-7784887332597881461?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/7784887332597881461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=7784887332597881461&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7784887332597881461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/7784887332597881461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/12/o-mija-na-erva.html' title='o mija na erva'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2324713703077871070</id><published>2009-12-13T16:38:00.000Z</published><updated>2009-12-16T16:38:43.612Z</updated><title type='text'>desabandonados</title><content type='html'>-"Olhe, os velhinhos ficavam pr'aqui todos desabandonados." A senhora comentava o papel dos centros de dia na vida dos idosos da Calheta, o concelho mais extenso da Madeira e um dos mais envelhecidos. Se não existissem esses centros, na opinião da senhora , os velhinhos ficavam desabandonados. E ficarem "desabandonados" é algo bem mais grave do que ficarem simplesmente abandonados. Esta transformação do adjectivo "abandonado" em "desabandonado" serve para lhe dar mais ênfase, para lhe amplicar o sentido, para o dramatizar. Neste caso, o "des" não torna o adjectivo no seu oposto, mas no seu extremo. Não há dúvidas de que o "desabandono" é um drama. O "desabandono" é uma coisa horrível. O "desabandono" mata as pessoas lentamente. Como se sentirão os "desabandonados" com o aproximar do Natal? Quantos prefixos teríamos de acrescentar à palavra para lhe encontrar o tamanho certo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2324713703077871070?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2324713703077871070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2324713703077871070&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2324713703077871070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2324713703077871070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/12/desabandonados.html' title='desabandonados'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3538377901023006690</id><published>2009-12-03T13:26:00.003Z</published><updated>2009-12-03T13:36:50.380Z</updated><title type='text'>fazer uma derrota</title><content type='html'>- "Caminhei de casa só para ir à missa e afinal fiz uma derrota." Uma derrota? A palavra fica clarificada no decorrer da conversa. "- Saímos da missa, passámos no supermercado, fomos comprar pão de casa e ainda fomos a casa do Manuel." Uma derrota é um itinerário, um percurso com passagem por vários locais, um roteiro com diversos pontos de paragem.&lt;br /&gt;Nunca na minha vida tinha ouvido a palavra derrota com este significado e julguei tratar-se de um regionalismo, quem sabe até muito localizado, talvez só dito nesta zona. Cá nada! O substantivo "derrota" está no dicionário de português, que prontamente fui consultar, também com este significado, que a minha mãe utilizou naquele dia ao chegar da missa e de não sei mais quantos sítios.&lt;br /&gt;O mesmo me tem acontecido em relação a muitas outras palavras, que com o tempo caíram em desuso, palavras que não reconheço, que nunca ouvi com um determinado sentido e que, afinal, pertencem ao vocabulário da nossa língua e estão descritas no dicionário. Corei de vergonha: a minha mãe, com o seu exame de terceira classe, tem um vocabulário que eu não domino. Isto dá que pensar. O que estamos a fazer à nossa língua? Simplificamos, simplificamos e tornamo-la mais pobre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3538377901023006690?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3538377901023006690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3538377901023006690&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3538377901023006690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3538377901023006690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/12/fazer-uma-derrota.html' title='fazer uma derrota'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4845906528539875337</id><published>2009-11-30T23:20:00.003Z</published><updated>2009-12-02T23:44:07.531Z</updated><title type='text'>o destino dos pedros</title><content type='html'>Desde pequena que ouço dizer isto: todos os pedros são malucos.&lt;br /&gt;O nome Pedro, segundo a tradição popular, carrega esse destino de ser maluco, endiabrado, reguila, destravado, levantado, sei lá mais quantos adjectivos sinónimos poderia aqui usar.&lt;br /&gt;Em que se baseia esta crença? O mais provável é que o responsável seja um Pedro que realmente existiu, não sei onde nem há quanto tempo. Que terá feito esse Pedro para que a sua fama chegasse até hoje sob a forma de uma crença popular?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4845906528539875337?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4845906528539875337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4845906528539875337&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4845906528539875337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4845906528539875337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/11/o-destino-dos-pedros.html' title='o destino dos pedros'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1451964933356318238</id><published>2009-11-24T00:42:00.005Z</published><updated>2009-11-30T16:07:37.901Z</updated><title type='text'>adiante e troca o passo</title><content type='html'>"-Olha, adiante e troca e passo". Com esta expressão antiga encerrou o rol de queixas, desgraças que por vezes preenchem algumas vidas e deu a entender que o que conta é que o está para a frente.&lt;br /&gt;Esta expressão resume uma forma optimista de ver as coisas. O que lá vai, lá vai. "Adiante e troca o passo" manda seguir em frente, sejam quais forem as desgraças que tenham acontecido. A expressão recomenda que se deixe o passado no passado e se olhe para o futuro, mais sabios com as lições do que aconteceu, talvez mudando de caminho, de postura.&lt;br /&gt;É uma expressão que resume muito bem aquilo que toda a gente sabe que se devia fazer em determinadas circunstâncias, mas que nem sempre é fácil pôr em prática.&lt;br /&gt;"Adiante e troca o passo". Vou tentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1451964933356318238?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1451964933356318238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1451964933356318238&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1451964933356318238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1451964933356318238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/11/adiante-e-troca-o-passo.html' title='adiante e troca o passo'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2867443000360528254</id><published>2009-11-13T22:07:00.002Z</published><updated>2009-11-20T20:41:42.813Z</updated><title type='text'>a cabeça lêveda</title><content type='html'>- "Tenho a cabeça lêveda". No meio das outras queixas, típicas de uma gripe, eis que surge este sintoma. Talvez por estar a sentir-me bem nessa altura, não consegui entender o que é ter a cabeça lêveda. Tentaram excplicar-me: - "É assim (acompanhado de gestos), como se a cabeça estivesse aumentada...." Eu assenti, sim, percebo.&lt;br /&gt;Mas na realidade, só agora - passados uns tempos - percebo exactamente. Tenho a cabeça lêveda. Percebo porque é assim que tenho a cabeça. Lêveda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2867443000360528254?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2867443000360528254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2867443000360528254&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2867443000360528254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2867443000360528254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/11/cabeca-leveda.html' title='a cabeça lêveda'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5995672439502704441</id><published>2009-11-09T15:25:00.006Z</published><updated>2009-11-19T11:07:41.758Z</updated><title type='text'>um cheiro bilhardeiro</title><content type='html'>&lt;div&gt; &lt;/div&gt;- "A laranja tem um cheiro bilhardeiro!"&lt;br /&gt;Nunca tinha ouvido o adjectivo bilhardeiro aplicado a algo que não fosse uma pessoa, mas garantiram-me que a expressão era bastante usada antigamente: - "Dizia-se muito em casa dos meus pais".&lt;br /&gt;E por ser verdade que a laranja tem um "cheiro bilhardeiro", momentos depois de ter começado a descascá-la, embora ninguém conseguisse ver o que estava a fazer, já havia vários colegas a perguntarem  quem tinha laranja e a pedirem um gomo.&lt;br /&gt;Num ápice a laranja bilhardeira foi distribuída por quantos estavam presentes e ainda bem. Partilhou-se a fruta e partilhou-se uma antiga expressão madeirense.&lt;br /&gt;- "Há muitas outras comidas com cheiro bilhardeiro, que se denunciam logo. Por exemplo, quem é que consegue esconder da vizinhança que está a fazer bolos de mel?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5995672439502704441?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5995672439502704441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5995672439502704441&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5995672439502704441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5995672439502704441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/11/um-cheiro-bilhardeiro.html' title='um cheiro bilhardeiro'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3241596714871765480</id><published>2009-10-28T14:54:00.000Z</published><updated>2009-10-28T16:52:11.270Z</updated><title type='text'>o filho do Gasparinho</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;- "Quem será que vem acolá além?" Depois deste alerta, todos os olhos se fixaram na vereda, curiosos. Toda a gente do sítio se conhecia e bastava um olhar para identificar logo quem percorria a longa vereda, a caminho das Eiras ou já de regresso. Mas dessa vez, estava mais complicado. Quem seria? A curiosidade dos adultos levou-nos a fixar também a vereda em frente, por onde avançava uma figura alta, de cabelo comprido, alourado, e de calças à boca de sino, castanho-avermelhadas.&lt;br /&gt;Enquanto os adultos adiantavam palpites, nós observávamos a misteriosa figura, que andava com passos rápidos e compassados, agora já bem perto da Ribeira.&lt;br /&gt;- "Deve ser o filho do Gasparinho!" O mistério perdeu parte do interesse quando a figura ganhou um nome e nós voltámos à nossa brincadeira, que já não sei qual seria, talvez o jogo da condessa, ou do rei e filhos. Daí a alguns minutos, uma algazarra chamou-nos à realidade.&lt;br /&gt;- "Pensámos que era o filho do Gasparinho!" A minha mãe e a minha tia davam gargalhadas, enquanto falavam com a Maria Justina, afilhada da minha mãe, que acabara de aderir à moda das calças compridas, transformando-se na primeira mulher do sítio a usá-las.&lt;br /&gt;O filho do Gasparinho não vivia no nosso sítio, mas todos os conheciam por se atrever a ter uma aparência diferente: usava cabelo comprido que às vezes amarrava num rabo de cavalo, às vezes ostentava uma barba rala e vestia calças muito largas, à boca de sino. Mais nenhum rapaz conhecido se vestia daquela forma. Ninguém imaginou que a figura esguia de longo cabelo pudesse ser uma mulher; se usava calças era um homem e foi com base nesse pressuposto que tinha decorrido a tentativa de identificação da misteriosa figura que percorria a vereda.&lt;br /&gt;Algum tempo depois deste episódio, o meu pai regressou da Austrália, onde estava emigrado, e trouxe a cada uma de nós um par de calças compridas! De maneira que, no domingo seguinte fomos as três à missa estreando a roupa nova.&lt;br /&gt;Quando íamos a passar na vereda, junto à casa da Maria Justina, ouvimos uma grande algazarra. Ela e as irmãs juntaram-se para nos verem, às gargalhadas, e exclamaram: "Olha os filhos do Gasparinho!" Nós encolhemos os ombros e nada dissemos, mas aprendemos uma importante lição.&lt;br /&gt;Fomos as primeiras do sítio a usar calças compridas, logo a seguir à Maria Justina, confundida com o filho do Gasparinho numa bela tarde de sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3241596714871765480?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3241596714871765480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3241596714871765480&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3241596714871765480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3241596714871765480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/o-filho-do-gasparinho.html' title='o filho do Gasparinho'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5957579673287040493</id><published>2009-10-26T20:23:00.008Z</published><updated>2009-10-26T21:25:48.024Z</updated><title type='text'>um pirolito</title><content type='html'>O homem apontou para a montra dos bolos e pediu: "- Um cone, se faz favor". Olhei para esse local da montra e vi um pirolito. Um pirolito igual aos que eu comia aos sábados à tarde. Todos os sábados da minha infância tinham esse pequeno prazer reservado para a tarde. Juntamente com as compras semanais feitas na venda do Bilho, vinha sempre um saco de papel com três pirolitos, um para cada uma de nós.&lt;br /&gt;O sábado era o dia das limpezas em casa e era também o dia dos pirolitos. Depois de um dia em que não parávamos, porque nesse tempo as crianças ajudavam em tudo desde bem pequenas, aquele bolo oco, cheio de creme, fazia-nos acreditar que todos os esforços na vida tinham direito a recompensa e que era possível viver nesse equilíbrio perfeito entre dificuldades grandes e alegrias maiores.&lt;br /&gt;- "Um cone, se faz favor". O homem repetiu o pedido porque com tanto barulho a empregada não tinha ouvido bem. Eu segui-lhe os gestos, enquanto ela retirou o bolo da montra e o colocou num prato.&lt;br /&gt;- "Isso é um pirolito, não é um cone." Só pensei, não disse. E se eu comesse um? Nem pensar. Há sabores que são únicos porque faziam parte de uma história. Quando os tentamos recuperar, desaparecem para sempre. Por isso, talvez eu ceda a provar todos os bolos daquela montra, ninguém sabe para o que lhe dá, mas os pirolitos não.  Pirolitos, só os dos sábados da minha infância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5957579673287040493?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5957579673287040493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5957579673287040493&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5957579673287040493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5957579673287040493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/10/um-pirolito.html' title='um pirolito'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5004082951864728834</id><published>2009-10-25T17:30:00.003Z</published><updated>2009-10-25T19:03:24.633Z</updated><title type='text'>cada um é como cada qual</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;- "Isto....cada um é como cada qual!" Quem estava ali à volta percebeu que pouco havia a acrescentar à conversa porque contra esta verdade universal não há argumentos.&lt;br /&gt;O grupo falava de situações difíceis de entender, de comportamentos estranhos, vindos de pessoas que até parecem normais, mas o que é isso de ser ou parecer normal, afinal? Um falava de um caso, outro recordava outro, alguém acrescenta mais isto e aquilo e assim ia seguindo a conversa.&lt;br /&gt;A expressão popular "cada um é como cada qual", proferida por uma das pessoas presentes, fez com que os outros assentissem com a cabeça e ficassem calados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5004082951864728834?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5004082951864728834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5004082951864728834&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5004082951864728834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5004082951864728834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/10/cada-um-e-como-cada-qual.html' title='cada um é como cada qual'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-774473466008420293</id><published>2009-10-20T13:57:00.006+01:00</published><updated>2009-10-20T21:38:32.991+01:00</updated><title type='text'>prata do cu da gata</title><content type='html'>- "Que lindo!" Admiro o colar e, porque tenho confiança suficiente para isso, pergunto: - "É prata?" A pergunta é mais uma forma de mostrar interesse, e é também movida pela memória das minhas reacções alérgicas a todos os metais que não sejam ouro ou prata.&lt;br /&gt;- "Então não é!? É sim senhora, é prata do cu da gata!"&lt;br /&gt;Perante o meu espanto, pois nunca tinha ouvido tal dito, e sabendo da minha curiosidade por todas as expressões populares, a amiga do lado, aponta para os brincos e esclarece: - "E estes brincos também são de ouro. São de ouro do cu do besouro!"&lt;br /&gt;Conclusão: nem o colar era de prata, nem os brincos eram de ouro. Um e outro boas imitações e toca a andar, o que interessa é o efeito e quer um quer outros chamavam bem a atenção e cumpriam o seu papel, bem conjugados com a indumentária da ocasião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-774473466008420293?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/774473466008420293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=774473466008420293&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/774473466008420293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/774473466008420293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/10/prata-do-cu-da-gata.html' title='prata do cu da gata'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1004460064934428678</id><published>2009-10-19T13:53:00.014+01:00</published><updated>2009-10-19T15:57:17.476+01:00</updated><title type='text'>esgrifada</title><content type='html'>- "Não é preciso falares com uma voz tão esgrifada."&lt;br /&gt;Era a terceira vez que se ouvia a reprimenda, mas a voz continuava alta, num tom bastante agudo, denotando nervosismo, irritação. Talvez não passasse de hábito e talvez a pessoa não se apercebesse do quanto a sua voz fugia do tom normal e se tornava dificil de suportar.&lt;br /&gt;- "Oh mulher, nós não somos surdos. Fala mais devagar." Este devagar significa mais baixo e não mais lentamente.&lt;br /&gt;Já ouvi várias vezes o adjectivo "esgrifada" referindo-se ao tom de voz muito alto, exageradamente agudo, que fere o ouvido. Mas recentemente, também ouvi a expressão referindo-se à pessoa que perde a paciência, que se enerva, que fica alterada perante uma determinada situação.&lt;br /&gt;Uma pessoa enervada, irritada, tem tendência a subir a voz; é certo rambém que a voz reflecte logo o estado emocional de uma pessoa.&lt;br /&gt;Todos nós já ficámos "esgrifados". Eu já fiquei muitas vezes mas confesso que cada vez fico menos. Não por existirem menos coisas que me irritem mas por uma questão de atitude. Não se deve gastar energia com o que não vale a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1004460064934428678?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1004460064934428678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1004460064934428678&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1004460064934428678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1004460064934428678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/10/esgrifada.html' title='esgrifada'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-3024674891927356567</id><published>2009-10-13T23:05:00.011+01:00</published><updated>2009-10-14T00:33:26.476+01:00</updated><title type='text'>também eu</title><content type='html'>- "Também eu. Como na história do porco!" A história do porco? Já não me lembrava da história do porco, tantas vezes repetida durante a infância, na tentativa de apanhar a outra pessoa distraída. Primeiro instruíamos a outra pessoa no sentido de responder "também eu" a tudo o que disséssemos. Depois era só ir dizendo o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fui à serra e encontrei um porco.&lt;br /&gt;- Também eu&lt;br /&gt;- Trouxe o porco para casa.&lt;br /&gt;- Também eu.&lt;br /&gt;- Deitei-lhe comer.&lt;br /&gt;- Também eu.&lt;br /&gt;- O porco cagou.&lt;br /&gt;- Também eu.&lt;br /&gt;- O porco comeu.&lt;br /&gt;- Também eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que depois de terem caído uma primeira vez, as pessoas ficavam muito atentas e às últimas duas perguntas já respondiam: "Também o meu". Nessa altura o jogo perdia a piada. Era preciso esperar uns tempos, e num belo dia, tentar apanhar a pessoa desprevenida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-3024674891927356567?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/3024674891927356567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=3024674891927356567&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3024674891927356567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/3024674891927356567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/10/tambem-eu.html' title='também eu'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-420082512943496524</id><published>2009-10-11T20:50:00.000+01:00</published><updated>2009-10-11T22:30:14.188+01:00</updated><title type='text'>Vai p'ró calhau</title><content type='html'>Perante uma provocação, o velhote, com mais de oitenta anos, reage: - "Vai p'ró calhau!"&lt;br /&gt;Mas di-lo a sorrir e o jovem que o provocara também sorri e vê-se que são amigos. Dita neste contexto, a expressão perde o peso original, bastante negativo.&lt;br /&gt;Há muito tempo que não ouvia a expressão "Vai para o calhau" e recuo no tempo. A minha avó chamava às pessoas de pouco valor "garotos do calhau". Ser do calhau era, sem dúvida, muito negativo. E mandar alguém para o calhau era o mesmo que dizer-lhe: não vales nada, vai para o lugar onde na verdade pertences.&lt;br /&gt;O tempo parecia ter apagado estas memórias mas o velhote, com a sua expressão bem humorada, ajudou-me a recuperá-las. De repente vejo a minha avó de lenço enramado na cabeça, despejando para um poio a água com que lavara a pesada panela de ferro onde cozia o milho. E no meio desse trabalho doméstico, com a cabeça branca ligeiramente de lado, olhando para mim que não páro de a seguir, pede-me para nunca dizer palavrões: "quem diz palavrões são os garotos do calhau."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-420082512943496524?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/420082512943496524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=420082512943496524&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/420082512943496524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/420082512943496524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/10/vai-pro-calhau.html' title='Vai p&apos;ró calhau'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-8070220212587713859</id><published>2009-10-10T22:41:00.006+01:00</published><updated>2009-10-14T00:36:23.584+01:00</updated><title type='text'>o primeiro figo...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/StUO7EhMdyI/AAAAAAAABkA/Q06VFlRHFFA/s1600-h/Outubro-Novembro+2008+261.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/StUO7EhMdyI/AAAAAAAABkA/Q06VFlRHFFA/s400/Outubro-Novembro+2008+261.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392232536834078498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quase no intervalo e Portugal estava a ganhar por um - zero. Mas ninguém cantava vitória, todos na expectativa do resultado, afinal faltava ainda muito tempo de jogo e deitar foguetes podia azarar. Não se deve deitar foguetes antes da festa.&lt;br /&gt;- "O primeiro figo é dos melros", afirma a minha mãe em jeito de justificação para a pouca euforia. Queria dizer que o primeiro não é contado, tal como os agricultores não podem contar com a primeira fruta. A seguir é que seria a sério. E foi!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-8070220212587713859?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/8070220212587713859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=8070220212587713859&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8070220212587713859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/8070220212587713859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/10/o-primeiro-figo.html' title='o primeiro figo...'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/StUO7EhMdyI/AAAAAAAABkA/Q06VFlRHFFA/s72-c/Outubro-Novembro+2008+261.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-4563244434236151651</id><published>2009-09-29T13:05:00.007+01:00</published><updated>2009-09-29T13:33:41.504+01:00</updated><title type='text'>anedota do marido corno</title><content type='html'>Espero calmamente pela minha vez e não consigo deixar de ouvir as conversas à minha volta. O cabeleireiro é talvez o sítio mais fértil em conversas da face da terra. Enquanto lhe arranjam a preceito os caracóis de uma mise, uma professora reformada contou a seguinte anedota.&lt;br /&gt;Era uma vez um homem que decidiu emigrar para a Venezuela porque a vida aqui estava muito difícil. Antes de ele embarcar avisou a mulher para se comportar bem, pois caso contrário nascer-lhe-iam cornos na cabeça.&lt;br /&gt;O homem lá foi à sua vida e regressou uns anos depois. A mulher foi ao cais esperá-lo, naquele tempo era assim, era tudo de barco. Quando ela avistou o marido, viu que ele vinha de chapéu na cabeça e já ficou toda preocupada. Ora, quando ela chegou ao pé dele, não fez mais nada, levantou-lhe uma pontinha do chapéu. E então disse, enquanto baixava o chapéu: "Ah, seu mentiroso!"  Já viu, em vez de estar calada, foi dizer aquilo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-4563244434236151651?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/4563244434236151651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=4563244434236151651&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4563244434236151651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/4563244434236151651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/anedota-do-marido-corno.html' title='anedota do marido corno'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-604489670136435678</id><published>2009-09-26T20:47:00.002+01:00</published><updated>2009-09-29T13:04:05.560+01:00</updated><title type='text'>ficar malhadiço</title><content type='html'>" - Olha que ele pode ficar malhadiço". Quem avisa tem a sabedoria do tempo e dos antigos ensinamentos populares.&lt;br /&gt;Quando se repreende muito uma pessoa, corre-se o risco de ela se habituar e, em consequência, deixar de reagir às repreensões. A isso o povo chama "ficar malhadiço" e nesse caso, repreender ou não dá na mesma, malhar e não malhar, o resultado é igual.&lt;br /&gt;A expressão aplica-se no caso das crianças mas também em relação a pessoas adultas e eu nunca tinha reparado nela. Mas é verdade, as pessoas habituam-se a tudo e quando mais se habituam mais imunes ficam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-604489670136435678?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/604489670136435678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=604489670136435678&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/604489670136435678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/604489670136435678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/ficar-malhadico.html' title='ficar malhadiço'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5793125596810053858</id><published>2009-09-23T14:22:00.000+01:00</published><updated>2009-09-28T14:31:37.979+01:00</updated><title type='text'>quadras populares</title><content type='html'>Minha mãe p'ra me casar prometeu-me quatro ovelhas&lt;br /&gt;depois de me ver casada&lt;br /&gt;deu-me uma cega, uma cambada&lt;br /&gt;e outra môcha sem orelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe p'ra me casar&lt;br /&gt;prometeu-me quanto tinha&lt;br /&gt;depois de me ver casada&lt;br /&gt;deu-me os panos da cozinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe mandou-me à lenha&lt;br /&gt;eu fui ao mar me lavar&lt;br /&gt;minha mãe deu-me uma malha&lt;br /&gt;c'agulha d'arremendar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe mandou-me à lenha&lt;br /&gt;fui p'ra rocha apanhar feno&lt;br /&gt;Minha mãe deu-me uma malha&lt;br /&gt;coitado quem é pequeno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe é minha amiga&lt;br /&gt;dá-me pão com bacalhau&lt;br /&gt;quando eu a faço reinar&lt;br /&gt;dá-me uma malha c'um pau&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quadras recolhidas no Sítio da Ribeira dos Pretetes - Caniço, a 18-02-1986&lt;br /&gt;Cantigas cantadas em diversas ocaisões, sempre ao som do brinco&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5793125596810053858?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5793125596810053858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5793125596810053858&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5793125596810053858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5793125596810053858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/quadras-populares.html' title='quadras populares'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2970393951660573493</id><published>2009-09-20T19:11:00.002+01:00</published><updated>2009-09-28T14:10:20.514+01:00</updated><title type='text'>trédia</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;/div&gt;"- A menina tem só três meses mas está tão trediazinha. Dá gosto ver!"&lt;br /&gt;Percebi que "trédia" é um adjectivo positivo, lisonjeiro. Mas o verdadeiro significado escapava-me. Nunca antes o tinha ouvido, coisa que a minha mãe achou logo impossível: "Toda a gente sabe o que é. Já deves ter ouvido e não te lembras."&lt;br /&gt;"Trédia" significa esperta, bastante desenvolvida. Com tão pouca idade, a bebé a que se referia já se ponha toda direitinha, levantando bem a cabeça para perceber tudo à sua volta, fixando as pessoas, parecendo entender tudo, "como uma pessoa velha".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2970393951660573493?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2970393951660573493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2970393951660573493&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2970393951660573493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2970393951660573493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/tredia.html' title='trédia'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-1423820785988608138</id><published>2009-09-15T19:20:00.008+01:00</published><updated>2009-09-15T20:04:42.118+01:00</updated><title type='text'>estão irritando</title><content type='html'>&lt;p&gt;Acho que já tinham sido trocadas algumas palavras amigáveis entre os dois desconhecidos que por um dia se tornaram vizinhos de piquenique. Talvez tivessem comentado alguma coisa sobre o tempo enquanto faziam brasas para a espetada, quem sabe tivessem trocado algumas palavras sobre a qualidade da lenha que foram recolhendo, provavelmente em relação ao local onde podiam ter acesso a água. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;As horas da refeição coincidiram e quando as espetadas estavam praticamente no fim, o vizinho de piquenique aproximou-se com uma prata, que estendeu de forma convidativa. Estava cheia de chicharros miudos, muito bem fritos, daqueles que parecem nem ter espinhas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O vizinho olhou, comentou que tinha comido muito, mas mesmo assim não resistiu aos chicharros. - "Estão iritando!", justificou. Os chicharros estavam irritando porque provocavam o apetite, chamavam a atenção, despertavam o interesse, era impossível ressistir-lhes. O que é irresistível irrita, está bem visto, sim senhor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-1423820785988608138?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/1423820785988608138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=1423820785988608138&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1423820785988608138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/1423820785988608138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/estao-irritando.html' title='estão irritando'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-5669072968071153672</id><published>2009-09-14T14:52:00.005+01:00</published><updated>2009-09-14T15:35:44.136+01:00</updated><title type='text'>fazer-se uma mulher</title><content type='html'>- "Ela hoje está se fazendo uma mulher."&lt;br /&gt;Resistiu à tentação de uma praia cheia de sol, de um filme interessante no cinema, de um encontro de amigos no café. Em vez de sair, ficou em casa arrumando: fazendo camas, limpando pó, varrendo, lavando... Isto é, em linguagem popular, "fazer-se uma mulher".&lt;br /&gt;Embora os tempos sejam outros e cuidar da casa já não seja atributo exclusivo das mulheres, pelo menos em teoria, esta expressão continua a ser usada.&lt;br /&gt;Na cabeça dos mais antigos - e, infelizmente, ainda na cabeça de muitos novos - arrumar, limpar, cozinhar, varrer e lavar, são tarefas femininas e pronto, não há mais conversa.&lt;br /&gt;É uma ideia que terá decair em desuso, não há outra solução. O problema é que é bem mais facil as expressões da linguagem cairem em desuso. As ideias demoram muito mais tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-5669072968071153672?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/5669072968071153672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=5669072968071153672&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5669072968071153672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/5669072968071153672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/fazer-se-uma-mulher.html' title='fazer-se uma mulher'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7909481.post-2798492981820634946</id><published>2009-09-13T23:28:00.007+01:00</published><updated>2009-09-14T00:11:10.986+01:00</updated><title type='text'>quando as Desertas anunciam chuva</title><content type='html'>- "Olha, vai chover!" Olhei. Ao fundo, as Desertas estavam muito claras e pareciam bem mais próximas do que o normal. Apetecia estender a mão até as tocar.&lt;br /&gt;- "Quando as Desertas estão assim é sinal de chuva." Olhei uma vez mais, admirando a beleza da paisagem, tentando esquecer o incómodo do calor. Chuva?&lt;br /&gt;Veremos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7909481-2798492981820634946?l=o-rabo-do-gato.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/feeds/2798492981820634946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7909481&amp;postID=2798492981820634946&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2798492981820634946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7909481/posts/default/2798492981820634946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://o-rabo-do-gato.blogspot.com/2009/09/quando-as-desertas-anunciam-chuva.html' title='quando as Desertas anunciam chuva'/><author><name>Lília Mata</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10067090615519901219</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_B_OTtTSqHEo/SXIpw_8LKrI/AAAAAAAABBs/gkftYE6CdAY/S220/IMG_1299.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
